{"id":74571,"date":"2023-01-24T13:54:21","date_gmt":"2023-01-24T13:54:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/blog\/"},"modified":"2023-05-05T01:13:24","modified_gmt":"2023-05-05T01:13:24","slug":"estudo-de-caso-da-ciatica-trazer-a-investigacao-para-a-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/blog\/estudo-de-caso-da-ciatica-trazer-a-investigacao-para-a-pratica\/","title":{"rendered":"Estudo de caso da Ci\u00e1tica: Trazer a Investiga\u00e7\u00e3o para a Pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p class=\"text\"><em>Paciente com dor na zona lombar que irradia para a perna. Sensa\u00e7\u00e3o de formigueiro.<\/em><\/p>\n<p class=\"text\"><em>Diagn\u00f3stico: Ci\u00e1tica.<\/em><\/p>\n<p class=\"text\"><em>Tratamento: Descanso na cama. Tra\u00e7\u00e3o. Alongamento do piriforme. Extens\u00e3o da cadeia posterior. Repetir.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"text\">Este foi basicamente o meu m\u00e9todo de gest\u00e3o para qualquer pessoa que entrasse no meu gabinete alegando que tinha ci\u00e1tica durante um per\u00edodo de tempo preocupantemente longo. Esta abordagem foi insuficientemente centrada na pessoa e resultou em m\u00e1s alian\u00e7as terap\u00eauticas e numa gest\u00e3o insuficiente.<\/p>\n<p class=\"text\"><em>Deixei de o fazer.<\/em><\/p>\n<p class=\"text\">Empenhei-me em explorar o conceito da ci\u00e1tica, as cren\u00e7as dos meus pacientes sobre o seu diagn\u00f3stico e tratamentos, melhorando as minhas capacidades de avalia\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o e n\u00e3o vendo cada paciente com uma \u00fanica lente e impulsionando a minha pr\u00e1tica cl\u00ednica acima do m\u00e9todo de &#8220;vira o disco e toca o mesmo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text\">Agora, neste blogue de estudo de caso, estou aqui para vos contar como \u00e9 que as an\u00e1lises da Physio Network, sobre a ci\u00e1tica, me ajudaram a navegar nesta condi\u00e7\u00e3o comum, mas complexa.<\/p>\n<p class=\"text\"><em>Vamos l\u00e1!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Ci\u00e1tica: Um &#8216;Termo de Nada&#8217; para n\u00f3s ou um &#8216;Termo de Algo&#8217; para eles?<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Para os fisios, a ci\u00e1tica caracteriza-se por uma dor que irradia pelo joelho, desde coluna lombar, associada a uma sensibilidade alterada e\/ou fraqueza na perna. A ci\u00e1tica \u00e9 comum, com 60% dos pacientes com dor lombar apresentando caracter\u00edsticas de dores na perna. \u00c9 um desafio para os fisioterapeutas encontrar uma causa estrutural, uma vez que pode ocorrer devido a h\u00e9rnias discais, compress\u00e3o, inflama\u00e7\u00e3o ou tumores. Por vezes, a ci\u00e1tica \u00e9 confundida erradamente com o termo &#8220;radiculopatia lombar&#8221;. Neste momento, os fisios j\u00e1 deveriam saber que a ci\u00e1tica \u00e9 um sintoma e n\u00e3o um diagn\u00f3stico espec\u00edfico.<\/p>\n<p class=\"text\">Para os pacientes, a ci\u00e1tica pode ser uma experi\u00eancia &#8220;abrangente&#8221; com sintomas de &#8220;esgotamento f\u00edsico e mental&#8221;, com muitos a sentirem-se subvalorizados nas suas consultas com a falta de explica\u00e7\u00f5es claras sobre tratamento e progn\u00f3stico. Esta incapacidade de compreender toda a hist\u00f3ria do paciente leva \u00e0 falta de confian\u00e7a e a uma alian\u00e7a terap\u00eautica insatisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"text\">Uma revis\u00e3o pelo Dr. Tom Walters, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, ajudou-me a compreender a perspetiva do meu paciente de viver com a dor ci\u00e1tica. Esta revis\u00e3o defende a import\u00e2ncia das cren\u00e7as dos pacientes sobre a sua doen\u00e7a e o papel que podem desempenhar na forma como respondem ao tratamento. Uma das raz\u00f5es, para os fisios n\u00e3o conseguirem obter os resultados cl\u00ednicos desejados, poderia ser a incapacidade de interpretar a forma como os seus pacientes encaram a dor ci\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"aligncentre\"><a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iStock-471803264-scaled.jpg\" class=\"js-single-image-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iStock-471803264-scaled.jpg\" alt=\"image\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>O caso<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">A paciente era uma trabalhadora de 30 anos de idade, do sexo feminino, enviada por um cirurgi\u00e3o especialista em coluna com o diagn\u00f3stico de dor lombar com ci\u00e1tica na perna direita. Ela mencionou que h\u00e1 um m\u00eas atr\u00e1s estava apenas a apanhar a mala do ch\u00e3o do seu quarto quando sentiu um aperto na zona lombar acompanhado de dores agonizantes. Desmaiou no ch\u00e3o e n\u00e3o se conseguiu levantar. Chamou a sua amiga para a ajudar e foi para as urg\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"text\">Ela mencionou que teve um epis\u00f3dio semelhante de les\u00e3o nas costas h\u00e1 dois anos atr\u00e1s, onde teve dores incapacitantes e n\u00e3o foi capaz de se levantar durante 2 semanas. Na altura, foi-lhe dado medicamentos para a dor e aconselhado o repouso na cama. Ela n\u00e3o teve outro epis\u00f3dio semelhante at\u00e9 este.<\/p>\n<p class=\"text\">Na altura, n\u00e3o tinha dores na perna. Ap\u00f3s a admiss\u00e3o no hospital, foi feita uma resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e ela foi aconselhada a submeter-se a uma microdiscectomia no dia seguinte. Ela mencionou que as palavras usadas pelos radiologistas e pelo cirurgi\u00e3o eram &#8220;as suas costas est\u00e3o lixadas&#8221; &amp; &#8220;n\u00e3o ser\u00e1 capaz de lidar com a dor&#8221;. Foi-lhe prescrito doses pesadas de analg\u00e9sicos e fisioterapia sob a forma de eletroterapia e TENS. O seu cirurgi\u00e3o continuou a &#8221; insistir&#8221; em fazer a cirurgia com palavras como &#8220;vai ficar paralisada&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text\">Eventualmente, os seus pais intervieram e decidiram n\u00e3o proceder \u00e0 opera\u00e7\u00e3o. Depois de uma semana de descanso na cama, de fisioterapia suave e de medicamentos, ela conseguiu mexer-se lentamente e as suas dores nas costas come\u00e7aram a melhorar. Foi aconselhada, pelo fisioterapeuta, a usar uma cinta lombar, \u00e0 medida que regressava ao seu trabalho. Apresentava dores agudas e palpitantes na perna direita at\u00e9 ao p\u00e9, que eram piores do que as dores nas costas. Essas dores desenvolveram-se ap\u00f3s 3 semanas do epis\u00f3dio e agora a paciente come\u00e7ou a coxear devido a isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>\u201cCompreender\u201d a Pessoa (n\u00e3o s\u00f3 o caso)<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Antes de entrarmos na avalia\u00e7\u00e3o f\u00edsica deste caso, gostaria de salientar como a revis\u00e3o do Tom Walter, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, me ajudou a navegar neste contacto cl\u00ednico, explorando a compreens\u00e3o da ci\u00e1tica por parte do paciente. Explorei ainda mais as cren\u00e7as do meu paciente, de acordo com os quatro temas principais indicados na revis\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text\">Ela mencionou a sua experi\u00eancia de doen\u00e7a como &#8220;incapacitante &amp; debilitante&#8221;. Sentiu-se &#8220;isolada&#8221; por n\u00e3o ser capaz de fazer as coisas de que gostava e as palavras do cirurgi\u00e3o criaram-lhe muito medo. Ela tinha pesadelos e acordava com dores. Ela notou que o seu humor se tornava mais irrit\u00e1vel e sentia-se deprimida. O seu conceito de ci\u00e1tica era maioritariamente formado pelo que lia no Google e acreditava que o &#8220;nervo est\u00e1 a ficar comprimido&#8221; e &#8220;n\u00e3o pode voltar a encolher&#8221;. Ela acreditava que se a compress\u00e3o parasse, a sua dor desapareceria.<\/p>\n<p class=\"text\">As suas cren\u00e7as de tratamento inclu\u00edam que eventualmente teria de se submeter a cirurgia, pois os exerc\u00edcios poderiam n\u00e3o ajudar na compress\u00e3o e a cirurgia ir\u00e1 repar\u00e1-la. Ela deixou de andar e de correr e sentiu que a massagem Ayurv\u00e9dica e a medicina \u00e0 base de ervas era \u00fatil. Ela n\u00e3o queria continuar com os medicamentos. Desejava informa\u00e7\u00e3o cred\u00edvel e valorizava explica\u00e7\u00f5es claras sobre o seu progn\u00f3stico. Mencionou que o que o seu m\u00e9dico lhe disse era exatamente o que tinha lido no Google e estava preocupada com a sua credibilidade.<\/p>\n<p class=\"text\">Toda esta informa\u00e7\u00e3o ajudou-me a navegar neste contacto cl\u00ednico ao compreender melhor como abordar e gerir esta &#8216;pessoa com ci\u00e1tica&#8217;. A revis\u00e3o, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, afirma que:<\/p>\n<p class=\"text\"><em>&#8220;Em muitos casos, a dor radicular n\u00e3o est\u00e1 relacionada com a compress\u00e3o do nervo mec\u00e2nico e pode melhorar sem uma interven\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, como a cirurgia&#8221;.<\/em><\/p>\n<p class=\"text\">Juntamente com isto, dediquei-lhe tempo para lhe explicar o potencial que a inflama\u00e7\u00e3o\/sensibiliza\u00e7\u00e3o neural pode ter na sua experi\u00eancia de dor. Validei a sua experi\u00eancia de dor e ela ficou grata pelas explica\u00e7\u00f5es cred\u00edveis. A paciente mencionou que &#8220;sentiu-se ouvida e levada a s\u00e9rio&#8221; e isso &#8220;p\u00f4s a sua consci\u00eancia tranquila&#8221;. Ela acreditava que o sentir-se ouvida fazia parte do seu processo de cura. Isto ajudou a definir o tom certo desde o in\u00edcio, antes de come\u00e7ar quaisquer avalia\u00e7\u00f5es ou interven\u00e7\u00f5es f\u00edsicas.<\/p>\n<p class=\"aligncentre\"><a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iStock-1329315347-scaled-e1639478738854.jpg\" class=\"js-single-image-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iStock-1329315347-scaled-e1639478738854.jpg\" alt=\"image\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Avalia\u00e7\u00e3o e Diagn\u00f3stico: Acabou-se o trabalho de Adivinha<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Diferenciar a ci\u00e1tica de outros sintomas radiculares torna-a um desafio, uma vez que as caracter\u00edsticas cl\u00ednicas s\u00e3o altamente vari\u00e1veis na pr\u00e1tica. A revis\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o da Dra. Mary O&#8217; Keeffe, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, centrou-se na distin\u00e7\u00e3o de tr\u00eas subconjuntos de envolvimento das ra\u00edzes nervosas: ci\u00e1tica (dor radicular); radiculopatia, estenose espinal. Tornou o diagn\u00f3stico diferencial muito menos complexo.<\/p>\n<p class=\"text\">A paciente queixou-se de dores nas pernas que eram significativamente mais fortes do que as dores nas costas. A extens\u00e3o repetida na posi\u00e7\u00e3o de p\u00e9 aumentou os seus sintomas. Ela relatou um aumento gradual dos sintomas durante as \u00faltimas 3 semanas, sendo a dor 9\/10 no seu pior e 3\/10 no seu melhor. As atividades agravantes inclu\u00edram estar sentada durante longas horas, levantar coisas pesadas e rodar. As atividades de al\u00edvio inclu\u00edam estar em dec\u00fabito dorsal com os joelhos fletidos (posi\u00e7\u00e3o de crook) e exerc\u00edcios de alongamento para a frente, em flex\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text\">Ela relatou dor at\u00e9 ao p\u00e9 direito com SLR \u00e0 direita de 40\u00b0 e um alongamento na coxa posterior esquerda a 70\u00b0. O teste do neur\u00f3nio motor superior (Babinski, teste de clonus do tornozelo, sinal de Hoffmann) n\u00e3o indicou nada de an\u00f3malo. As patologias graves (cancro, cauda equina) foram descartadas. N\u00e3o havia qualquer dorm\u00eancia presente. A dor intensificou-se com uma tosse ou um espirro e a localiza\u00e7\u00e3o da dor alinhada com os dermatomas, juntamente com a diminui\u00e7\u00e3o do reflexo do tend\u00e3o de Aquiles na zona lateral do p\u00e9 direito. O teste de flex\u00e3o do joelho em dec\u00fabito ventral (prone knee bend test) e o teste de flex\u00e3o da anca, com extens\u00e3o do joelho, em dec\u00fabito dorsal (crossed lasegue test) foram positivos e a dist\u00e2ncia entre os dedos e o ch\u00e3o foi de 30cm. \u00c0 palpa\u00e7\u00e3o sobre a regi\u00e3o do piriforme, \u00e0 direita, e da sacroil\u00edaca, relatou uma ligeira sensibilidade. A sua pontua\u00e7\u00e3o no \u00cdndice de Defici\u00eancia Oswestry (ODI) foi de 42% indicando defici\u00eancia grave.<\/p>\n<p class=\"text\">A revis\u00e3o da Dra. Sarah Haag, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, chamou-me a aten\u00e7\u00e3o para as diretrizes cl\u00ednicas que recomendam uma combina\u00e7\u00e3o entre a recolha da hist\u00f3ria, um conjunto de testes f\u00edsicos, e a ferramenta de rastreio StEP como sendo clinicamente \u00fatil para identificar dores neurop\u00e1ticas em dores lombares relacionadas com as pernas (LBLP). Os 8 sinais da hist\u00f3ria do paciente\/exame cl\u00ednico s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Idade<\/li>\n<li>Dura\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a<\/li>\n<li>Dor parox\u00edstica<\/li>\n<li>Dor pior na perna do que nas costas<\/li>\n<li>Distribui\u00e7\u00e3o t\u00edpica ao n\u00edvel dos dermatomas<\/li>\n<li>Pior em situa\u00e7\u00f5es de tosse\/espirro\/esfor\u00e7o<\/li>\n<li>Dist\u00e2ncia do dedo ao ch\u00e3o<\/li>\n<li>Paresias<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"text\">Considerando a informa\u00e7\u00e3o acima, consegui identificar a dor neurop\u00e1tica com LBLP na minha paciente, o que me permitiu proporcionar diretamente cuidados mais eficientes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>O Papel da Imagiologia<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">A paciente perguntou se realmente precisava de fazer outra resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, pois tinha medo de precisar de ser operada em breve para &#8220;remover a compress\u00e3o&#8221;. A revis\u00e3o de Mary O&#8217;Keeffe, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, menciona que a maioria dos pacientes com s\u00edndromes radiculares n\u00e3o necessita de diagn\u00f3stico imediato atrav\u00e9s da imagiologia. Mesmo ap\u00f3s esta atualiza\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, foi-lhe recomendado que fizesse uma resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. Para mim, era importante fazer corresponder os resultados das imagens com os sintomas antes de avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Gest\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Este foi um caso dif\u00edcil de gerir desde o in\u00edcio, considerando a elevada intensidade da dor, o seu impacto psicol\u00f3gico juntamente com os n\u00edveis de incapacidade funcional, e as cren\u00e7as prejudiciais que os profissionais de sa\u00fade propagaram. As leituras das Revis\u00f5es de Investiga\u00e7\u00e3o, acima mencionadas, criaram um grande alicerce para mim e forneceram-me uma compreens\u00e3o \u00fatil da evid\u00eancia atual para gerir de forma ideal esta paciente.<\/p>\n<p class=\"text\">A revis\u00e3o de Tom Walter, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, ajudou-me a compreender o valor de procurar compreender a &#8220;experi\u00eancia de doen\u00e7a&#8221; vivida pelo paciente e ajudou-me a construir uma forte alian\u00e7a terap\u00eautica e de confian\u00e7a. Ouvir, educar, validar, compreender as suas cren\u00e7as combinadas com um exame f\u00edsico minucioso ajudou-me a obter melhores resultados cl\u00ednicos.<\/p>\n<p class=\"text\">Para contextualizar &#8211; as sess\u00f5es foram feitas duas vezes por semana durante seis semanas.<\/p>\n<p class=\"text\" style=\"padding-top: 18px;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Educa\u00e7\u00e3o\/Progn\u00f3stico<\/span><\/p>\n<p class=\"text\">Na revis\u00e3o de Mary O&#8217;Keeffe, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, ela mencionou como o progn\u00f3stico \u00e9 normalmente favor\u00e1vel na maioria dos casos de ci\u00e1tica. A dor diminui com o tempo, por si s\u00f3. A primeira linha de cuidados deve consistir em tranquiliza\u00e7\u00e3o, conselhos para se manter ativo e retomar as atividades o mais poss\u00edvel, bem como terapia de exerc\u00edcio.<\/p>\n<p class=\"text\">Ap\u00f3s a leitura desta revis\u00e3o, consegui explicar a natureza e o progn\u00f3stico da ci\u00e1tica e discuti a necessidade da imagiologia e a sua inefic\u00e1cia na determina\u00e7\u00e3o quer dos cuidados conservadores quer do progn\u00f3stico, e fui capaz de afastar algum medo. Consegui aconselh\u00e1-la sobre a ci\u00e1tica como um sintoma, as suas op\u00e7\u00f5es de tratamento e a redu\u00e7\u00e3o dos fatores de risco modific\u00e1veis (tabagismo e falta de movimento). As expectativas realistas foram estabelecidas ap\u00f3s discutir o progn\u00f3stico. Foi preciso tempo para a convencer de que a cirurgia n\u00e3o era a sua \u00fanica op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text\" style=\"padding-top: 18px;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Defini\u00e7\u00e3o de Objetivos<\/span><\/p>\n<p class=\"text\">Ela queria voltar a ser ativa e ser capaz de fazer o seu trabalho. Por conseguinte, manter-se ativa era considerado o objetivo principal. Em vez de exerc\u00edcios gen\u00e9ricos, aconselhei-a a entrar gradualmente nas coisas que mais gosta de fazer como uma atividade f\u00edsica. Caminhar era a sua atividade favorita e decidimos tentar isso lentamente juntamente com a terapia de exerc\u00edcio. Estabelecemos pequenos objetivos em termos de minutos de caminhada e alter\u00e1mos lentamente a intensidade \u00e0 medida que ela se sentia melhor e mais confiante. A pintura foi algo que a relaxou, pelo que incorpor\u00e1mos progressivamente isso no seu plano de al\u00edvio do stress.<\/p>\n<p class=\"text\" style=\"padding-top: 18px;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Terapia do Exerc\u00edcio<\/span><\/p>\n<p class=\"text\">A revis\u00e3o da Dra. Sarah Haag, na <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/research-reviews\/\">Revis\u00f5es de Pesquisa da Physio Network<\/a>, afirma que n\u00e3o h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o &#8220;melhor&#8221; para as dores lombares com radiculopatia. Foram inclu\u00eddos no programa de reabilita\u00e7\u00e3o exerc\u00edcios orientados para a melhoria do controlo motor, fortalecimento muscular din\u00e2mico e exerc\u00edcios de orienta\u00e7\u00e3o preferencial, juntamente com a mobiliza\u00e7\u00e3o neurodin\u00e2mica. Este estudo tamb\u00e9m afirma que n\u00e3o h\u00e1 benef\u00edcio na tra\u00e7\u00e3o, nem sozinha nem em combina\u00e7\u00e3o com outro tratamento relativamente \u00e0 intensidade da dor, estado funcional, ou regresso ao trabalho.<\/p>\n<p class=\"text\">Esta revis\u00e3o mostrou que a adi\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o neurodin\u00e2mica aos exerc\u00edcios de controlo motor podem levar a uma maior redu\u00e7\u00e3o dos sintomas. A paciente percebeu que os exerc\u00edcios eram seguros para ela, uma vez que come\u00e7ou a gostar de &#8220;manter-se ativa&#8221;. Ela mencionou que os exerc\u00edcios de deslize, na neurodin\u00e2mica, &#8220;funcionaram bem para ela&#8221; no sentido de serem autossuficientes na gest\u00e3o da dor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Monitoriza\u00e7\u00e3o\/Acompanhamento<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">A paciente relatou uma diminui\u00e7\u00e3o da dor para 5\/10 na visita 3 e agradeceu o facto de estar a caminhar mais. Na visita 4, deixou de tomar medicamentos e p\u00f4de sentar-se e pintar durante 20 min. Na visita 7, relatou 2\/10 de dor na perna e ser autossuficiente com os seus exerc\u00edcios. Mencionou que, embora os sintomas n\u00e3o se tenham resolvido completamente, p\u00f4de ver que tinha feito muitos progressos e achou o plano de reabilita\u00e7\u00e3o muito significativo.<\/p>\n<p class=\"text\">Na 15\u00aa visita, a paciente tinha movimento ativo, sem dor nas costas e o SLR \u00e0 direita melhorou para 70\u00ba. Conseguiu andar durante 5 km sem dor na visita 16 e conseguiu sentar-se no trabalho sem dor. A sua pontua\u00e7\u00e3o no ODI mudou significativamente de incapacidade grave (42%) para nenhuma incapacidade (0%). Aos 6 meses de acompanhamento, ela ainda n\u00e3o tinha dores nas pernas e continuava fisicamente ativa, a trabalhar e a viajar.<\/p>\n<p class=\"aligncentre\"><a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iStock-1326257742-scaled-e1639479074211.jpg\" class=\"js-single-image-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/iStock-1326257742-scaled-e1639479074211.jpg\" alt=\"image\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">A Ci\u00e1tica pode ser um desafio para tratar na cl\u00ednica. Ap\u00f3s um ano, apenas 55% dos pacientes de cuidados prim\u00e1rios reportaram uma melhoria superior a 30%. A complexidade da lombalgia, a falta de compreens\u00e3o das cren\u00e7as dos pacientes, o conhecimento limitado do diagn\u00f3stico, a aus\u00eancia de interven\u00e7\u00e3o &#8220;melhor&#8221;, a aus\u00eancia de subgrupos eficazes de pacientes, a confus\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o da terminologia, e o fracasso da implementa\u00e7\u00e3o de diretrizes cl\u00ednicas deixam frequentemente os fisioterapeutas inseguros sobre a forma de navegar em tais contactos cl\u00ednicos. Isto leva a tens\u00f5es nos di\u00e1logos entre os fisioterapeutas e os pacientes. Os pacientes ficam tamb\u00e9m com mais desespero quando os fisioterapeutas n\u00e3o compreendem o impacto da ci\u00e1tica nas suas vidas e na sua identidade.<\/p>\n<p class=\"text\">As Revis\u00f5es de Investiga\u00e7\u00e3o da Physio Network resumem as \u00faltimas evid\u00eancias para os fisioterapeutas, a fim de destacar as melhores formas de identificar e gerir pacientes com uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es diferentes. Se conseguiu chegar t\u00e3o longe e clicou nas liga\u00e7\u00f5es ao longo do caminho, ent\u00e3o s\u00f3 resta uma coisa a fazer:<\/p>\n<p class=\"text\">Subscreva e diga-me como a Physio Network mudou a sua pr\u00e1tica cl\u00ednica!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paciente com dor na zona lombar que irradia para a perna. Sensa\u00e7\u00e3o de formigueiro. Diagn\u00f3stico: Ci\u00e1tica. Tratamento: Descanso na cama. Tra\u00e7\u00e3o. Alongamento do piriforme. Extens\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":43296,"featured_media":74572,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[955],"tags":[],"class_list":["post-74571","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-low-back"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74571","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/43296"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74571"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74571\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74985,"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74571\/revisions\/74985"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}