{"id":77428,"date":"2025-05-12T12:45:57","date_gmt":"2025-05-12T12:45:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/blog\/"},"modified":"2025-05-12T12:45:57","modified_gmt":"2025-05-12T12:45:57","slug":"tipos-de-estudo-em-investigacao-em-fisioterapia-um-guia-pratico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.physio-network.com\/pt\/blog\/tipos-de-estudo-em-investigacao-em-fisioterapia-um-guia-pratico\/","title":{"rendered":"Tipos de Estudo em Investiga\u00e7\u00e3o em Fisioterapia: Um Guia Pr\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p class=\"text\">Os fisioterapeutas baseiam-se na investiga\u00e7\u00e3o para orientar a sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica dentro da medicina baseada na evid\u00eancia (1). A medicina baseada na evid\u00eancia \u00e9 definida como a combina\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia cl\u00ednica e valores do paciente para guiar a tomada de decis\u00e3o no cuidado dos doentes.<\/p>\n<p class=\"text\">Para aplicar o componente da investiga\u00e7\u00e3o na medicina baseada na evid\u00eancia, os fisioterapeutas devem manter-se atualizados quanto ao vasto corpo de literatura cient\u00edfica. Devem tamb\u00e9m compreender a hierarquia dos tipos de estudo e como estes s\u00e3o representados na investiga\u00e7\u00e3o em fisioterapia.<\/p>\n<p class=\"text\">Aqui, vamos analisar os diferentes desenhos de estudo que se encontram na investiga\u00e7\u00e3o em fisioterapia. Para cada tipo de estudo, iremos abordar os cen\u00e1rios em que s\u00e3o utilizados, bem como fornecer exemplos no \u00e2mbito da fisioterapia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Ensaios Cl\u00ednicos Randomizados<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Os ensaios cl\u00ednicos randomizados s\u00e3o o n\u00edvel mais elevado de desenho de investiga\u00e7\u00e3o, sendo frequentemente considerados o \u201cpadr\u00e3o-ouro\u201d para determinar a efic\u00e1cia de um novo tratamento (2). S\u00e3o estudos prospetivos, ou seja, planeados antes de qualquer recolha de dados. Envolvem a atribui\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria dos participantes a um grupo experimental ou a um grupo de controlo.<\/p>\n<p class=\"text\">No contexto da investiga\u00e7\u00e3o em fisioterapia, o grupo de controlo recebe frequentemente algum tipo de terapia, em vez de nenhuma terapia, como num verdadeiro grupo de controlo. Por exemplo, existe um ensaio cl\u00ednico randomizado (<a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/research-reviews\/shoulder\/comprehensive-supervised-heavy-training-program-versus-home-training-regimen-in-patients-with-subacromial-impingement-syndrome-a-randomized-trial\/\">aqui<\/a>) que comparou o treino de resist\u00eancia supervisionado com o treino de resist\u00eancia realizado em casa (em vez de nenhum treino) em pacientes com dor subacromial no ombro.<\/p>\n<p class=\"text\">A aleatoriza\u00e7\u00e3o cria uma oportunidade igual para os participantes serem colocados em qualquer dos grupos. Isto reduz o vi\u00e9s, equilibrando as caracter\u00edsticas dos participantes entre os grupos. Muitas vezes, os participantes n\u00e3o sabem a que grupo foram atribu\u00eddos (o que \u00e9 conhecido como \u201ccegamento\u201d).<\/p>\n<p class=\"text\">Os ensaios cl\u00ednicos randomizados s\u00e3o a melhor forma de determinar a causalidade (ou seja, resultados que se devem \u00e0 interven\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a outros fatores).<\/p>\n<p class=\"aligncentre\"><a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/iStock-518858349-1-scaled-e1647096523716.jpg\" class=\"js-single-image-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/iStock-518858349-1-scaled-e1647096523716.jpg\" alt=\"image\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Estudos de Coorte<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Os estudos de coorte acompanham participantes que partilham uma caracter\u00edstica em comum. S\u00e3o estudos longitudinais, ou seja, os investigadores observam os participantes ao longo de um determinado per\u00edodo de tempo. Podem ser prospetivos (seguindo os participantes no tempo, para a frente) ou retrospectivos (analisando o que aconteceu no passado, seguindo os participantes para tr\u00e1s no tempo).<\/p>\n<p class=\"text\">Os estudos de coorte s\u00e3o ideais para determinar fatores externos que influenciam a sa\u00fade. Tamb\u00e9m ajudam a identificar fatores de risco para les\u00f5es ou condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas.<\/p>\n<p class=\"text\">Na fisioterapia, os investigadores podem usar um estudo de coorte para acompanhar doentes que realizaram tratamento fisioterap\u00eautico para uma condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Todos os participantes receberam o tratamento e n\u00e3o foram aleatoriamente atribu\u00eddos a grupos, como acontece nos ensaios cl\u00ednicos randomizados. Os investigadores avaliam se fatores como a idade, gravidade da les\u00e3o, ades\u00e3o \u00e0 terapia, entre outros, afetam os resultados do tratamento. Esta <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/research-reviews\/low-back\/effectiveness-of-early-rehabilitation-for-vertebral-compression-fractures-a-retrospective-cohort-study\/\">revis\u00e3o de pesquisa<\/a> da Dra. Mariana Wingwood \u00e9 um exemplo de um estudo de coorte retrospetivo que avaliou o impacto da reabilita\u00e7\u00e3o precoce na fun\u00e7\u00e3o de doentes com fraturas por compress\u00e3o vertebral.<\/p>\n<p class=\"text\">Os estudos de coorte prospetivos s\u00e3o um desenho metodol\u00f3gico robusto e bastante comum na investiga\u00e7\u00e3o em fisioterapia. Uma outra revis\u00e3o, de Stacey Harden, \u00e9 um exemplo de estudo de coorte prospetivo que acompanhou jogadores de futebol profissional para avaliar fatores de risco para a S\u00edndrome Pub\u00e1lgica, que pode ser consultada <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/research-reviews\/hip-groin\/do-hip-and-groin-muscle-strength-and-symptoms-change-throughout-a-football-season-in-professional-male-football-players-a-prospective-cohort-study-with-repeated-measures\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Estudos de Caso-Controlo<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Os estudos de caso-controlo analisam o passado para comparar doentes que t\u00eam uma les\u00e3o\/condi\u00e7\u00e3o (casos) com doentes que n\u00e3o t\u00eam essa les\u00e3o\/condi\u00e7\u00e3o (controlos). Os controlos s\u00e3o habitualmente emparelhados com os casos com base em v\u00e1rias vari\u00e1veis demogr\u00e1ficas, como idade, sexo e n\u00edvel de atividade f\u00edsica.<\/p>\n<p class=\"text\">Os estudos de caso-controlo s\u00e3o \u00fateis para identificar fatores de risco associados a les\u00f5es ou condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. Muitos investigadores utilizam este tipo de estudo como investiga\u00e7\u00e3o inicial para compreender melhor uma les\u00e3o ou condi\u00e7\u00e3o antes de realizar um ensaio prospetivo.<\/p>\n<p class=\"text\">Estes estudos s\u00e3o comuns em fisioterapia, como \u00e9 o caso desta <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/research-reviews\/lower-leg\/lower-leg-muscle-structure-and-function-are-altered-in-long-distance-runners-with-medial-tibial-stress-syndrome-a-case-control-study\/\">revis\u00e3o de pesquisa<\/a> da Dra. Melinda Smith, que analisou os fatores de risco em corredores com s\u00edndrome de stress tibial medial, comparando-os com corredores assintom\u00e1ticos emparelhados.<\/p>\n<p class=\"aligncentre\"><a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/iStock-1132040786-scaled-e1647096794895.jpg\" class=\"js-single-image-lightbox\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.physio-network.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/iStock-1132040786-scaled-e1647096794895.jpg\" alt=\"image\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Estudos Transversais<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Os estudos transversais s\u00e3o estudos observacionais que avaliam dados de participantes num \u00fanico momento no tempo. S\u00e3o utilizados para determinar associa\u00e7\u00f5es entre duas vari\u00e1veis. Por exemplo, esta <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/research-reviews\/neck\/posture-and-time-spent-using-a-smartphone-are-not-correlated-with-neck-pain-and-disability-in-young-adults-a-cross-sectional-study\/\">revis\u00e3o de pesquisa<\/a> de Steve Kamper utilizou um desenho transversal para verificar se existia rela\u00e7\u00e3o entre a postura e o uso do smartphone com a dor cervical em adultos jovens.<\/p>\n<p class=\"text\">Os investigadores em fisioterapia utilizam os estudos transversais tanto em investiga\u00e7\u00f5es baseadas em question\u00e1rios como em estudos cl\u00ednicos. Estes estudos s\u00e3o, geralmente, mais r\u00e1pidos e com menor custo, sendo por isso mais apelativos e exequ\u00edveis em contextos cl\u00ednicos de fisioterapia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>S\u00e9ries de Casos e Estudos de Caso<\/h4>\n<p class=\"text\">Os \u00faltimos \u2014 e mais fracos \u2014 desenhos de estudo s\u00e3o as s\u00e9ries de casos (cerca de &lt;10 pessoas no estudo) e os estudos de caso (com apenas 1 pessoa). S\u00e3o considerados os mais fracos em termos metodol\u00f3gicos, pois, devido ao pequeno n\u00famero de participantes, os resultados dificilmente s\u00e3o generaliz\u00e1veis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p class=\"text\">No entanto, as s\u00e9ries de casos e os estudos de caso podem ser extremamente informativos para a pr\u00e1tica cl\u00ednica em fisioterapia, uma vez que costumam descrever les\u00f5es ou condi\u00e7\u00f5es raras ou invulgares. Proporcionam uma vis\u00e3o pr\u00e1tica do trabalho de outro fisioterapeuta ou equipa de sa\u00fade, o que pode ajudar a informar e refletir sobre a sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica. Um exemplo \u00e9 esta <a href=\"https:\/\/www.physio-network.com\/research-reviews\/thoracic\/chronic-localized-back-pain-due-to-entrapment-of-cutaneous-branches-of-posterior-rami-of-the-thoracic-nerves-pocnes-a-case-series-on-diagnosis-and-management\/\">s\u00e9rie de casos<\/a> analisada por Robin Kerr, que incluiu 5 doentes submetidos a uma abordagem terap\u00eautica alternativa para a capsulite adesiva (conhecida como &#8220;ombro congelado&#8221;).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Em Resumo<\/strong><\/h4>\n<p class=\"text\">Na pr\u00e1tica da medicina baseada na evid\u00eancia, \u00e9 importante conhecer os diferentes desenhos de estudo presentes na investiga\u00e7\u00e3o em fisioterapia. Compreender as indica\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es de cada tipo de estudo ajudar\u00e1 os fisioterapeutas a determinar se os resultados devem ou n\u00e3o influenciar ou modificar a sua pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<p class=\"text\">\u00c9 importante lembrar que cada tipo de estudo tem vantagens e desvantagens. Embora exista uma hierarquia que vai do desenho mais robusto (como os ensaios cl\u00ednicos randomizados) ao menos robusto (como os estudos de caso), abord\u00e1mos aqui considera\u00e7\u00f5es espec\u00edficas \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o em fisioterapia que tornam certos desenhos mais comuns e eficazes do que outros, dependendo do contexto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os fisioterapeutas baseiam-se na investiga\u00e7\u00e3o para orientar a sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica dentro da medicina baseada na evid\u00eancia (1). 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