- A minha Biblioteca
- 2026 Edições
- Edição 47
- Desbloquear o limiar cirúrgico: a TC…
Desbloquear o limiar cirúrgico: a TC com carga (WBCT) como preditor em lesões instáveis da sindesmose do tornozelo
PONTOS CHAVE
- A tomografia computorizada com carga (WBCT) permite uma avaliação funcional da sindesmose sob carga e possibilita a comparação direta entre os dois lados.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
O diagnóstico preciso da instabilidade da sindesmose do tornozelo continua a representar um desafio persistente na prática clínica. Estas lesões são mais frequentes do que anteriormente se pensava, com aproximadamente 20% das entorses do tornozelo a envolverem a sindesmose distal (1). Lesões de grau mais elevado podem aumentar as pressões de contacto tibiotársico, acelerando a degeneração articular.
Assim, a identificação precoce da instabilidade é fundamental para orientar as decisões terapêuticas (conservadoras ou cirúrgicas) e reduzir o risco de disfunção articular a longo prazo.
A avaliação clínica constitui um passo inicial importante. Embora vários testes clínicos demonstrem uma precisão diagnóstica razoável na deteção de lesão da sindesmose (por exemplo, teste de compressão e teste de rotação externa), estes são maioritariamente testes de provocação da dor e, por isso, apresentam limitações na capacidade de determinar a verdadeira instabilidade mecânica ou diástase (1).
A tomografia computorizada com carga (WBCT) emergiu como uma alternativa não invasiva promissora, permitindo a avaliação da sindesmose distal sob carga fisiológica e a comparação direta com o membro contralateral. Apesar do seu uso clínico crescente, não existe um consenso claro relativamente aos limiares diagnósticos de instabilidade. Este estudo teve como objetivo avaliar a utilidade da WBCT comparativa e estabelecer um valor de corte clinicamente relevante para identificar lesões instáveis da sindesmose.
A tomografia computorizada com carga pode ser particularmente valiosa como ferramenta de exclusão, ajudando os clínicos a identificar lesões estáveis e potencialmente a evitar procedimentos invasivos desnecessários, como a artroscopia.
MÉTODOS / O QUE FOI FEITO
- Este estudo retrospetivo caso‑controlo incluiu doentes com idades entre os 14 e os 60 anos (com fises fechadas), com suspeita de lesão aguda da sindesmose, que realizaram WBCT entre 2019 e 2022.