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Avaliação de testes clínicos para diagnosticar tendinopatia do iliopsoas

Revisão realizada por Dr Stacey Hardin info

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PONTOS CHAVE

  1. Diagnosticar a tendinopatia do iliopsoas pode ser desafiante devido aos padrões de dor não específicos e sinais clínicos comuns a muitas outras condições.
  2. Este estudo demonstrou que o teste de rotação externa-flexão-elevação do quadril é a ferramenta clínica mais precisa para diagnosticar a dor inguinal relacionada com o iliopsoas.

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

Diagnosticar a tendinopatia do iliopsoas pode ser desafiante devido aos padrões de dor não específicos e aos sinais clínicos frequentemente observados noutras condições (1). Os testes clínicos tradicionais geralmente focam-se na flexão do quadril, a ação primária do músculo iliopsoas. O recentemente descrito teste de flexão da coxa (com joelho fletido e pé apoiado na superfície) seguido de rotação externa e depois elevação do pé para o teto (HEC) combina a ação primária do iliopsoas com a ação secundária (rotação externa), podendo melhorar a fiabilidade do diagnóstico.

Os objetivos do estudo foram três:

  1. Determinar a precisão do novo teste HEC e de outros 10 testes comuns para dor inguinal relacionada com o iliopsoas;

  2. Determinar se os testes eram “bons” ou “fracos” para diagnosticar tendinopatia do iliopsoas e

  3. Classificar todos os testes para identificar a melhor ferramenta de diagnóstico.

O recentemente descrito teste de rotação externa–flexão–elevação do quadril (HEC) combina a ação primária do iliopsoas com a ação secundária (rotação externa), podendo melhorar a fiabilidade do diagnóstico.
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Os clínicos devem considerar a inclusão do teste descrito de rotação externa–flexão–elevação do quadril (HEC) nas suas avaliações de rotina de pacientes com dor inguinal.

MÉTODOS

  • 44 participantes com dor inguinal persistente (idade média de 48 anos; 34% do sexo masculino) participaram neste estudo. Os participantes tinham quadris “originais” (52%) e quadris submetidos a artroplastias totais do quadril (THA) (48%).

  • Onze testes clínicos, incluindo o teste HEC (ver Vídeo 1), foram realizados antes e depois de uma injeção do iliopsoas guiada por fluoroscopia. A melhoria da dor inguinal característica do participante foi considerada o padrão-ouro diagnóstico.

VÍDEO 1- TESTE HEC https://youtu.be/euvuYHapKWA

  • Um teste foi considerado “bom” se cumprisse os três critérios seguintes:

    • A pontuação média de dor na escala VAS foi significativamente reduzida em três pontos ou mais após a injeção.
    • O valor de corte ótimo para redução da dor foi significativamente igual ou superior a quatro.
    • Foi identificada uma área sob a curva (AUC- area under the curve) significativa, igual ou superior a 0,80.
  • Se um teste não cumprisse nenhum destes três critérios, era considerado “fraco”.

  • Com base nos critérios acima, cada teste clínico com pelo menos 30 observações válidas recebeu uma posição de classificação para cada critério. O teste com a pontuação total mais baixa foi considerado o melhor.

RESULTADOS

  • Em 82% dos pacientes que apresentaram redução da dor após a injeção e que foram posteriormente diagnosticados com tendinopatia do iliopsoas, os seguintes testes mostraram a redução de dor clinicamente mais relevante após a infiltração: o teste HEC, a flexão resistida do quadril (em posição sentado) e o teste de elevação da perna estendida (SLR) em rotação externa. Ver Tabela.

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  • O teste HEC demonstrou uma sensibilidade de 94%, especificidade de 88% e uma AUC de 0,99, com uma redução de 5 pontos na escala VAS, superando todos os outros testes convencionais.

  • Apenas três testes — o teste HEC, a flexão resistida do quadril (em posição sentado) e a rotação externa resistida do quadril (em posição sentado) — cumpriram os três critérios para serem classificados como testes “bons”. O teste de Thomas, o teste de elevação da perna estendida (SLR) em posição neutra e o teste do quadril com estalido foram considerados testes “fracos”.

  • No geral, o teste HEC foi classificado como o melhor para detetar tendinopatia do iliopsoas, seguido pelo teste de flexão resistida do quadril (sentado) em segundo lugar, e pelo teste SLR em rotação externa em terceiro lugar.

LIMITAÇÕES

Os leitores devem ter em conta duas limitações deste estudo:

  1. Devido à proximidade de várias estruturas anatómicas, uma diminuição da dor após uma injeção no iliopsoas pode não ser específica da tendinopatia do iliopsoas.

  2. Os participantes apresentavam dor inguinal “persistente”, o que pode representar uma população com sintomas mais graves do que outros pacientes.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

Os objetivos deste teste foram:

  1. Determinar a precisão do novo teste HEC e de outros 10 testes comuns para dor inguinal relacionada com o iliopsoas O teste HEC foi considerado o mais preciso na deteção de dor inguinal relacionada com o iliopsoas, quando comparado com os outros 10 testes clínicos incluídos no estudo.

  2. Determinar se os testes eram “bons” ou “fracos” para diagnosticar a tendinopatia do iliopsoas Com base no desempenho dos testes segundo os critérios descritos na secção de métodos, os testes foram categorizados da seguinte forma:

Testes “Bons”:

  • O teste HEC
  • Flexão resistida do quadril (em posição sentado)
  • Rotação externa resistida do quadril (em posição sentado)

Testes“Fracos”

  • Teste de Thomas
  • SLR em posição neutra
  • Teste do quadril com estalido
  1. Classificar todos os testes para identificar a melhor ferramenta de diagnóstico Ver tabela de resultados

Os clínicos devem reavaliar as técnicas de exame clínico que utilizam na avaliação da tendinopatia do iliopsoas e considerar a inclusão do teste HEC nas suas avaliações de rotina de pacientes com dor inguinal.

Segundo este estudo, o teste HEC proporciona um diagnóstico mais objetivo e fiável, sem necessidade de procedimentos invasivos. Estudos futuros devem avaliar a fiabilidade interobservador, o desempenho numa população de pacientes mais diversificada e incluir o nível de atividade dos participantes.

+REFERÊNCIAS DE ESTUDO

Vandeputte F, Driesen R, Timmermans A, Corten K (2025) Evaluation of Clinical Tests to Diagnose Iliopsoas Tendinopathy. Clinical orthopaedics and related research, Advance online publication.

MATERIAL DE APOIO

  1. Weir, A., Brukner, P., Delahunt, E., Ekstrand, J., Griffin, D., Khan, K. M., Lovell, G., Meyers, W. C., Muschaweck, U., Orchard, J., Paajanen, H., Philippon, M., Reboul, G., Robinson, P., Schache, A. G., Schilders, E., Serner, A., Silvers, H., Thorborg, K., Tyler, T., … Hölmich, P. (2015). Doha agreement meeting on terminology and definitions in groin pain in athletes. British journal of sports medicine, 49(12), 768–774.