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Guia prático para profissionais sobre a seleção de testes isométricos de adução e abdução do quadril: comparação da força máxima, assimetria e atividade muscular entre diferentes posições de avaliação
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PONTOS CHAVE
- Existem diferenças significativas entre as posições de avaliação da força isométrica de abdução e adução do quadril — nomeadamente na força máxima, nas assimetrias e na atividade muscular.
- Os profissionais devem ter em conta estas diferenças ao selecionar as posições de teste, com o objetivo de otimizar o processo de reabilitação, em especial na prescrição de exercícios e no acompanhamento válido ao longo do tempo.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
A avaliação da força isométrica é comum no desporto de alto rendimento (1). Existem diversas ferramentas e métodos que podem ser utilizados para avaliar a força do quadril. No entanto, a variabilidade do equipamento e dos métodos de teste pode gerar confusão e levar a conclusões erradas, uma vez que os valores podem ser interpretados ou comparados de forma imprecisa, tanto numa avaliação isolada como num processo de monitorização longitudinal.
O objetivo do estudo foi comparar: 1) a força máxima de adução (ADU) e abdução (ABU) do quadril, 2) a assimetria entre membros e 3) a atividade muscular, em cinco posições de avaliação frequentemente utilizadas, com combinações variáveis de ângulos articulares e locais de aplicação da força.
A escolha de uma posição de teste adequada que envolva a atividade dos músculos adutores e dos músculos abdominais, é fundamental.
MÉTODOS
Foram testados 20 jogadores masculinos de hóquei no gelo saudáveis, pertencentes à mesma equipa, durante a pré-época. Todos os jogadores tinham, no mínimo, 10 anos de experiência na modalidade e pelo menos quatro anos de treino estruturado de força e condicionamento físico.
Os testes foram realizados num dispositivo com uma estrutura rígida e quatro células de carga uniaxiais. Os participantes efetuaram um aquecimento padronizado antes da avaliação, e receberam instruções normalizadas durante a execução dos testes nas cinco posições identificadas.
As cinco posições utilizadas para avaliar a abdução e adução isométrica foram:
-
Sentado com 90 graus de flexão do quadril e do joelho (força aplicada no joelho)
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Decúbito dorsal com 0 graus de flexão do quadril e do joelho (força aplicada no joelho)
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Decúbito dorsal com 45 graus de flexão do quadril (força aplicada no joelho)
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Decúbito dorsal com 0 graus de flexão do quadril e do joelho (força bilateral aplicada no tornozelo)
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Decúbito dorsal com 0 graus de flexão do quadril e do joelho (força unilateral aplicada no tornozelo)
A atividade muscular foi igualmente registada através de eletromiografia de superfície (EMG) durante todos os testes.
RESULTADOS
Como se observa na Tabela 1, foi identificado um efeito principal significativo da posição de avaliação para: 1) força máxima relativa de adução (ADU) e abdução (ABU) do quadril, 2) torque relativo de ADU e ABU do quadril, 3) rácio ADU:ABU do quadril e 4) ângulo de simetria de ADU e do rácio ADU:ABU do quadril. Não foi identificado um efeito principal significativo para o ângulo de simetria da ABU do quadril.
Foram encontrados efeitos principais significativos para o adutor longo e o reto abdominal, mas não para o glúteo médio, durante os testes de adução. Adicionalmente, foram identificados efeitos principais significativos para todos os grupos musculares durante os testes de abdução.
LIMITAÇÕES
Este estudo foi realizado numa única população de atletas (da mesma equipa de participantes do sexo masculino) com ampla experiência desportiva e exposição a programas formais de treino de força e condicionamento, podendo, por isso, não ser aplicável a outras populações.
IMPLICAÇÕES CLÍNICAS
Os objetivos deste estudo foram comparar: 1) a força máxima de adução (ADU) e abdução (ABU) do quadril, 2) a assimetria entre membros e 3) a atividade muscular, em cinco posições de avaliação habitualmente utilizadas, com combinações variáveis de ângulos articulares e locais de aplicação da força.
1) Força máxima de adução (ADU) e abdução (ABU) do quadril
As posições sentado e em decúbito dorsal com 45 graus de flexão do quadril (força aplicada nos joelhos) foram as que produziram os maiores valores de força máxima relativa e torque relativo em ADU e ABU, com diferenças significativas moderadas a grandes em comparação com as posições em decúbito dorsal com aplicação bilateral e unilateral da força nos tornozelos. O torque relativo da ABU do quadril, mas não da ADU, foi significativamente inferior na posição em decúbito dorsal com aplicação da força nos joelhos, em comparação com as posições sentado e em decúbito dorsal com 45 graus de flexão do quadril.
2) Assimetria entre membros
As assimetrias entre membros para a adução do quadril e para o rácio ADU:ABU foram significativamente superiores na posição em decúbito dorsal com aplicação unilateral da força nos tornozelos, em comparação com todas as outras posições.
3) Atividade muscular
A atividade muscular máxima variou significativamente entre as posições de avaliação. A posição em decúbito dorsal com aplicação da força nos joelhos e 45 graus de flexão do quadril apresentou a maior percentagem máxima de EMG para o adutor longo e grácil durante o teste de adução, e para o sartório durante o teste de abdução.
No entanto, é importante referir que os indivíduos testados nesta posição podem recorrer a um momento de rotação medial do quadril para gerar mais força. O glúteo médio apresentou a maior percentagem máxima de EMG nas posições de sentado e em decúbito dorsal com aplicação da força nos joelhos e 45 graus de flexão durante o teste de abdução.
A maioria das lesões nos adutores é diagnosticada como lesão do adutor longo (2), que partilha uma aponevrose comum com os músculos abdominais. Assim, a escolha de uma posição de teste adequada que envolva a atividade dos adutores e dos músculos abdominais, é fundamental.
Em relação à atividade muscular normalizada entre as posições de teste para a adução e abdução do quadril, foram identificados efeitos principais significativos para o adutor longo. A posição em decúbito dorsal com aplicação da força nos tornozelos e quadris a 0 graus de flexão parece ser a mais relevante para monitorizar o progresso da reabilitação após uma lesão dos adutores ou da musculatura central, uma vez que promove a maior coativação dos músculos abdominais e adutores.
+REFERÊNCIAS DE ESTUDO
MATERIAL DE APOIO
- Herrington, L. C., Munro, A. G., & Jones, P. A. (2018). Assessment of factors associated with injury risk. In P. Comfort, P. A. Jones, & J. J. McMahon (Eds.), Performance assessment in strength and conditioning (pp. 53–95). Routledge.
- Serner, A., Tol, J. L., Jomaah, N., Weir, A., Whiteley, R., Thorborg, K., Robinson, M., & Hölmich, P. (2015). Diagnosis of Acute Groin Injuries: A Prospective Study of 110 Athletes. The American journal of sports medicine, 43(8), 1857–1864.