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A autogestão no centro do tratamento das dores nas costas: 10 pontos-chave para os profissionais de saúde

Revisão realizada por Dr Sandy Hilton info

PONTOS CHAVE

  1. Os profissionais de saúde podem aumentar as competências dos pacientes para a autogestão das dores nas costas.
  2. O apoio clínico à autogestão leva a uma melhor utilização e distribuição dos recursos dos cuidados de saúde.
  3. As organizações precisam de protocolos que permitam aos pacientes a autogestão e apoio à auto-eficácia.

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

A dor lombar persistente (DLP) é um problema globalmente devastador que não está a ser resolvido apenas através da intervenção clínica. A literatura apoia a promoção da autogestão da DLP para enfrentar os desafios sociais, físicos e emocionais em casa e na comunidade (1,2). Não é suficiente concentrar-se apenas no tratamento clínico.

Os autores deste artigo visaram estabelecer pontos para os profissionais de saúde abordarem, para além do tratamento tradicional, que permitam aos pacientes uma melhor autogestão da sua dor para uma função otimizada.

A dor lombar persistente é um problema globalmente devastador que não está a ser resolvido apenas através da intervenção clínica.
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Os profissionais de saúde têm a obrigação ética de colocar o seu paciente em primeiro lugar, e isso inclui a promoção da autogestão.

MÉTODOS

  • Este artigo foi um parecer para estabelecer instruções recomendadas de autogestão no contexto clínico.

  • Os autores definiram os termos para delinear a diferença entre autocuidado, autogestão, auto-eficácia, e gestão dos sintomas.

    • Autocuidado: ações feitas diariamente para a saúde incluindo banho, higiene do sono, nutrição e exercício.
    • Autogestão: capacidade do indivíduo para gerir os seus sintomas, tratamento e consequências das suas escolhas. Isto é apoiado pelo profissional de saúde, não liderado por eles.
    • Gestão dos sintomas: as ações do paciente ou do médico para abordar a DLP.
    • Auto-eficácia: é uma crença essencial de que as suas ações farão uma diferença substancial e que estão sob o seu controlo.

RESULTADOS

Pontos-chave para promover a autogestão

Planeamento:

  • Objetivos baseados em valores para a orientação dos cuidados. Utilizar objetivos funcionais específicos do paciente.

  • Tomada de decisão partilhada com compreensão clara das opções de cuidados e das vantagens ou custo/benefício de cada escolha.

  • Identificar a fase de prontidão para mudar e trabalhar na fase atual, apoiando ao mesmo tempo o processo de autogestão.

Fornecimento:

  • Fazer compreender os sintomas através da educação e da evidência.

  • Ensinar competências para a resolução e gestão de problemas.

  • Preparar os pacientes para o seu sucesso com uma graduação adequada do tratamento e dos programas domiciliários.

  • Continuar a fornecer ferramentas para a autogestão.

Avaliação:

  • Objetivos funcionais específicos do paciente e revisão constante desses objetivos.

  • Avaliar a compreensão dos pacientes sobre a sua dor nas costas.

  • Continuar a apoiar os pacientes na gestão da sua dor, verificar as atividades e planos e ajudá-los a ajustá-los conforme necessário para aumentar o sucesso.

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LIMITAÇÕES

Os autores indicam que as restrições organizacionais podem tornar o processo de autogestão problemático. Estes incluem considerações financeiras (não há lucro com as pessoas que tratam as suas próprias crises), gerir expectativas que a dor se resolverá completa e permanentemente, e reduzir a dependência da intervenção clínica.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

Para promover a autogestão como parte de uma abordagem de base para o tratamento da DLP, os profissionais de saúde devem ter boas capacidades de comunicação e apoio organizacional. O apoio organizacional é fundamental, uma vez que o incentivo financeiro é ver as pessoas com mais frequência em vez de ensinar às pessoas técnicas de autocuidado e autogestão para a sua dor. Esta promoção da autogestão é um alinhamento filosófico que se opõe à maximização dos lucros (uma vez que os lucros são a motivação propulsora de muitos cuidados de saúde e práticas hospitalares). Os profissionais de saúde que ensinam aos pacientes a autogestão podem enfrentar consequências negativas por parte dos seus diretores clínicos, responsáveis financeiros de empresas, ou proprietários de clínicas.

Resume-se a uma questão de benefício para o paciente ou para as finanças da organização. Os profissionais de saúde têm a obrigação ética de colocar o seu paciente em primeiro lugar, e isso inclui a promoção da autogestão. Os profissionais de saúde estão num ambiente ideal para se concentrarem em objetivos funcionais específicos do paciente e orientarem o tratamento com base nesses objetivos. Temos a capacidade de nos concentrar no ensino das competências para uma melhor autogestão da saúde, incluindo a dor, nutrição, qualidade do sono, intensidade e frequência do exercício, interações sociais, e a busca intencional do prazer.

REFERÊNCIA DO ESTUDO

Image Kongsted A, Ris I, Kjaer P, Hartvigsen J (2021) Self-management at the core of back pain care: 10 key points for clinicians. Brazilian Journal of Physical Therapy, 25(4), 396–406.

REFERÊNCIAS DE SUPORTE

  1. Huber M, Knottnerus JA, Green L, et al. How should we define health? BMJ. 2011;343:d4163.
  2. Buchbinder R, Underwood M, Hartvigsen J, Maher CG. The Lan- cet Series call to action to reduce low value care for low back pain: an update. Pain. 2020;161(Suppl 1):S57S64
  3. Hutting, N. et al. (2022) “Person-centered care for musculoskeletal pain: Putting principles into practice,” Musculoskeletal Science and Practice, 62, p. 102663.