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- Edição 42
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“É difícil confiar num indivíduo, é mais fácil confiar numa imagem” – pacientes com dor lombar procuram exames de imagem como forma de lidar com a incerteza
PONTOS CHAVE
- Apesar de décadas de evidência e de mensagens das diretrizes que indicam que a realização rotineira de exames de imagem não melhora os resultados na dor lombar não específica, os pacientes continuam a solicitá-los, e de forma consistente.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
A dor lombar (DL) afeta milhões de indivíduos em todo o mundo e representa uma carga significativa para os sistemas de saúde (1). Em Ontário, muitos indivíduos experienciam episódios recorrentes ou crónicos de DL, que podem afetar gravemente a qualidade de vida, persistindo durante anos ou décadas. Esta dor prolongada pode conduzir a desconforto contínuo, mobilidade limitada e sofrimento psicológico (2,3). Diretrizes internacionais alertam acerca de exames de imagem rotineiros na DL, pois raramente melhoram dor, função, qualidade de vida ou decisões terapêuticas (4–7). Ainda assim, os exames continuam a ser utilizados em excesso, e os pacientes procuram-nos ativamente.
Os autores pretendiam compreender porque os pacientes desejam exames de imagem, usando uma estrutura teórica: o Common-Sense Self-Regulation Model (CSSRM), que destaca como as pessoas interpretam a doença, lidam com ela e avaliam as suas respostas ao longo do tempo. Como a DL é frequentemente recorrente, os pacientes acumulam crenças de episódios anteriores, informações online, círculos sociais e interações com clínicos. Estas crenças tornam-se potentes motivadores do que sentem que “precisam” no episódio seguinte.
O objetivo deste estudo foi explorar as narrativas, crenças e comportamentos de coping relacionados com as expetativas de exames de imagem em pacientes com DL, e descrever como essas crenças evoluem ao longo do tempo.
Os clínicos devem substituir a “certeza” percebida proporcionada pela imagiologia por uma forma de certeza melhor e mais duradoura: uma compreensão clara da condição, um raciocínio que faça sentido para o paciente e uma mensagem consistente que permaneça muito para além do final da consulta.
MÉTODOS
- Estudo qualitativo inserido numa coorte prospetiva maior (“Back ON”). As entrevistas foram analisadas usando Análise Temática Reflexiva guiada pelo CSSRM, permitindo interpretar como os pacientes percecionavam a dor, que ações realizavam e como avaliavam os resultados.