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O método McKenzie para a lombalgia (sub)aguda inespecífica

Revisão realizada por Dr Mary O'Keeffe info

PONTOS CHAVE

  1. O método McKenzie proporciona pouco ou nenhum benefício em termos de dor e incapacidade em pessoas com dor lombar (sub)aguda não específica a curto prazo (≤ duas semanas) e a médio prazo (≤ três meses), quando comparado com um folheto educativo sobre dor lombar.
  2. O método McKenzie não proporciona benefícios na dor e na incapacidade em pessoas com lombalgia (sub)aguda inespecífica a curto prazo (≤ duas semanas) e a médio prazo (≤t rês meses), quando comparado com a manipulação ou mobilização da coluna vertebral.
  3. O método McKenzie não proporciona qualquer benefício em termos de dor e incapacidade em pessoas com lombalgia (sub)aguda inespecífica a curto prazo (cerca de duas semanas) e a médio prazo (cerca de três meses), quando comparado com massagem ou aconselhamento.

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

O Método McKenzie é um método muito popular de avaliação e tratamento da dor lombar, utilizado por fisioterapeutas em qualquer parte do mundo. O método baseia-se na ideia de que os sintomas de um doente podem ser aliviados através de exercícios, posturas e movimentos específicos (em clínica e em casa) que ajudam a "centralizar" a dor e a melhorar o movimento da coluna vertebral. Tal como a maioria dos métodos de avaliação e tratamento em fisioterapia, o método McKenzie foi implementado na prática clínica antes de qualquer avaliação sólida da sua eficácia.

Uma revisão sistemática bem conseguida, publicada recentemente na Biblioteca Cochrane, examinou se o método McKenzie é eficaz para reduzir a dor e a incapacidade em pessoas com dor lombar subaguda inespecífica.

O método McKenzie foi implementado na prática clínica antes de qualquer avaliação sólida da sua eficácia.
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A análise global das evidências sugere que, no caso da dor lombar, o tipo de exercício não é importante para o resultado.

MÉTODOS

Desenho do estudo: Revisão sistemática de ensaios controlados e aleatorizados.

População: Os ensaios tinham de incluir adultos com um episódio de dor lombar subaguda inespecífica, definida com uma dor com uma duração de seis a menos de 12 semanas. A dor lombar inespecífica foi definida como dor ou desconforto entre as costelas inferiores e as pregas glúteas, com ou sem dor nas pernas, em que não é possível identificar um fator estrutural específico de dor.

Intervenção: O Método McKenzie. O método tinha de estar em conformidade com o descrito pelo criador do tratamento (por exemplo, protocolo de tratamento em conformidade com a avaliação e a classificação, incluindo movimentos repetidos ou sustentados da coluna vertebral ou educação postural).

Comparações: Intervenção mínima - por exemplo, controlo em lista de espera, controlos com placebo ou inertes, ou ambos, intervenções educativas breves ou folhetos. Terapia manual - manipulação da coluna vertebral, mobilização da coluna vertebral ou massagem. Outros protocolos de exercício, excluindo os princípios do método McKenzie.

Resultados: Os principais foram a intensidade da dor e a incapacidade específica ao nível da coluna.

RESULTADOS

A revisão encontrou cinco ensaios clínicos. Dois estudos compararam o Método McKenzie com uma intervenção mínima, três compararam-no com terapia manual e um comparou-o com outras intervenções (massagem e aconselhamento).

Para o Método McKenzie versus intervenção mínima, a revisão concluiu que o Método McKenzie pode resultar numa ligeira redução da dor e da incapacidade a curto prazo.

Para o Método McKenzie versus terapia manual, a revisão concluiu que o Método McKenzie pode resultar em pouco ou nenhum efeito sobre a dor ou incapacidade.

Para o Método McKenzie versus outras intervenções (massagem nas costas e aconselhamento), a revisão encontrou pouca ou nenhuma evidência de que o Método McKenzie reduz a incapacidade.

LIMITAÇÕES

Os ensaios eram bastante pequenos, o que deixa incerteza nas estimativas. No entanto, um ponto forte da revisão é o facto de se centrar nos verdadeiros protocolos McKenzie. Outras revisões do Método McKenzie têm sido bastante liberais com a sua definição de McKenzie, turvando as águas das conclusões.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

  • O método McKenzie - tal como muitas outras abordagens em fisioterapia para as dores nas costas - é um bom exemplo de como as opiniões são mais fortes onde as evidências são mais fracas. As evidências atuais mostram que este tratamento não é eficaz, mas os cursos internacionais continuam a ser procurados. O ónus da prova recai sobre os defensores do tratamento, que devem demonstrar a sua eficácia. Atualmente, não consta nas diretrizes de prática clínica como uma opção de tratamento para a dor lombar. Esta situação manter-se-á inalterada após esta revisão. Os fisioterapeutas devem tratar as alegações de eficácia com ceticismo.

  • A atividade física e o exercício são recomendados para a dor subaguda e crónica e podem ajudar a prevenir recorrências. A síntese global da evidência sugere que, no caso da lombalgia, o tipo de exercício não é importante para o resultado. Em vez disso, devemos concentrar as nossas atenções em fazer com que os pacientes se envolvam em qualquer exercício e o desenvolvam ao longo do tempo. A escolha do exercício pelos fisioterapeutas deve ser feita de acordo com as preferências, objetivos e limitações funcionais do paciente. Não devemos colocar barreiras no caminho dos nossos pacientes ao recomendar um programa de exercício específico - por exemplo, McKenzie ou qualquer outro método específico (1).

  • A educação deve ter sempre um papel importante na gestão da lombalgia subaguda (2). Esta pode incluir informações sobre o prognóstico, os fatores de risco, a prevenção e as estratégias de autogestão.

+REFERÊNCIAS DE ESTUDO

Almeida M, Garcia A, Costa L, van Tulder M, Lin C and Machado L (2023) The McKenzie method for (sub) acute non‐specific low back pain. Cochrane Database of Systematic Reviews, (4).

MATERIAL DE APOIO

  1. O’Keeffe M, Maher CG, O’Sullivan K. Unlocking the potential of physical activity for back health. British Journal of Sports Medicine. 2017 May 1;51(10):760-1.
  2. Engers A, Jellema P, Wensing M, van der Windt DA, Grol R, van Tulder MW. Individual patient education for low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2008 Jan 23;2008(1):CD004057.