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Teste resistido do elevador da omoplata: avaliação clínica da radiculopatia C4

Revisão realizada por Dr Sarah Haag info

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PONTOS CHAVE

  1. A radiculopatia C4 é pouco comum, mas pode manifestar-se como dor no ombro.
  2. O teste resistido do músculo elevador da omoplata demonstrou elevada sensibilidade e especificidade para a radiculopatia C4.

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

A radiculopatia cervical é geralmente identificada pela presença de dor no braço, parestesias ou fraqueza, com sintomas evidentes ao nível dos dermátomos e miótomos correspondentes às raízes C2-3 e C5-8. Embora existam alguns testes clínicos para identificar a radiculopatia cervical, atualmente não existem testes específicos para identificar a radiculopatia cervical na raiz C4.

Este estudo teve como objetivo avaliar a utilidade clínica do teste resistido do músculo elevador da omoplata (RLS-resisted levator scapulae) na identificação de pacientes com radiculopatia C4 durante o exame físico.

A radiculopatia cervical é geralmente identificada pela presença de dor no braço, parestesias ou fraqueza, com sintomas evidentes nos dermátomos e miótomos correspondentes às raízes C2-3 e C5-8.
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O teste resistido do músculo elevador da omoplata oferece aos clínicos uma ferramenta para detetar a presença de radiculopatia C4 sem provocar dor, ao contrário dos testes provocadores.

MÉTODOS

  • Recrutou-se uma amostra de conveniência de pacientes com dor cervical e suspeita de radiculopatia C4, provenientes de uma clínica privada especializada em coluna vertebral.

  • Todos os participantes com evidência de estenose em C3/C4 em imagens de ressonância magnética (RM) ou tomografia computorizada (TC) foram incluídos no grupo de teste e realizaram o teste de referência padrão, que consistiu numa injeção guiada por TC.

  • Um teste de referência positivo foi definido como uma diminuição dos sintomas após um bloqueio da raiz nervosa guiado por TC, com anestésico local, realizado por um radiologista.

  • Se não houvesse evidência de estenose em C3/C4, os participantes eram incluídos no grupo de controlo pragmático.

  • Durante o teste, com o paciente em decúbito dorsal, este eleva um ombro em direção à orelha, enquanto a mão do examinador, em posição supinada, é colocada na região média da clavícula (ver Vídeo 1).

  • De seguida, o paciente realiza uma flexão lateral da coluna cervical em direção à mão do examinador.

  • O paciente deve resistir à pressão aplicada pelo examinador na mandíbula.

  • O teste é repetido do lado oposto.

  • Uma assimetria visível na força é considerada um resultado positivo.

VÍDEO 1 - TESTE RESISTIDO DO ELEVADOR DA ESCÁPULA https://www.youtube.com/watch?v=hGSDZNSnmfw

RESULTADOS

  • No grupo de teste, houve 21 resultados positivos e quatro negativos, enquanto todos os participantes do grupo de controlo tiveram resultados negativos.

  • A análise revelou uma sensibilidade de 90% para os pacientes com estenose isolada em C4.

  • Quando o grupo de controlo foi incluído na análise, a especificidade aumentou de 20% para 93%.

  • De forma geral, o teste resistido do músculo elevador da omoplata (RLS - Resisted Levator Scapulae Test ) demonstrou ser fiável na identificação de pacientes com radiculopatia C4.

LIMITAÇÕES

  • A amostra de conveniência proveniente de uma única clínica torna difícil generalizar os resultados.

  • A utilização de um único examinador pode aumentar a fiabilidade intraobservador; no entanto, não houve comparação ou confirmação com outros examinadores, pelo que a reprodutibilidade destes resultados permanece desconhecida neste momento.

  • A radiculopatia isolada da raiz C4 é muito rara, e frequentemente os pacientes apresentam outras condições associadas, como artropatia das facetas articulares. O alívio dos sintomas após a injeção nessa região não indica necessariamente estenose em C4.

IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

A dor cervical, com ou sem radiculopatia, é uma queixa comum na prática clínica. Determinar a incidência exata da radiculopatia cervical é um desafio, mas estima-se que seja de 85 por 100.000 habitantes, afetando mais os homens do que as mulheres (1), com uma incidência de aproximadamente 50% em engenheiros informáticos (2). Os padrões radiculares das raízes C5 a C8 são bem conhecidos, frequentemente irradiando pelo membro superior de forma previsível. A radiculopatia C4 pode ser mais difícil de identificar, pois os sintomas não irradiam para o braço, estando localizados no pescoço e ombro.

Pacientes que apresentam dor no ombro e/ou pescoço podem beneficiar de uma avaliação para radiculopatia C4, de forma a esclarecer o quadro clínico. Identificar com maior precisão a origem da dor no ombro pode ajudar os clínicos a selecionar intervenções mais eficazes, ao restringir os fatores contribuintes. O teste de Spurling pode ser utilizado para identificar a presença de radiculopatia; no entanto, trata-se de um teste provocador e com sensibilidade relativamente baixa (3).

O teste RLS oferece aos clínicos uma ferramenta para detetar a presença de radiculopatia C4 sem provocar dor, ao contrário dos testes provocadores. Havendo suspeita de radiculopatia C4 com base num RLS positivo, os clínicos podem avançar com maior confiança para cuidados conservadores recomendados, como exercício terapêutico e terapia manual para o pescoço (4).

+REFERÊNCIAS DE ESTUDO

Peters W, Smith, J and Zotti M (2025) The resisted levator scapulae test: A clinical test for C4 radiculopathy, European Spine Journal, Springer Science and Business Media LLC. Online ahead of print.

MATERIAL DE APOIO

  1. Woods, BI & Hilibrand, AS 2015, ‘Cervical Radiculopathy’, Journal of Spinal Disorders and Techniques, vol. 28, no. 5, pp. E251–E259.
  2. Joseph, R & Roy, F 2023, ‘Prevalence of Cervical Radiculopathy among Information Technology Professionals with Neck Pain’, Indian Journal of Pain, vol. 37, no. 3, p. 169, viewed 22 January 2024.
  3. Jones, SJ & Miller, J-MM 2023, Spurling Test, PubMed, StatPearls Publishing, Treasure Island (FL).
  4. Kjaer, P, Kongsted, A, Hartvigsen, J, Isenberg-Jørgensen, A, Schiøttz-Christensen, B, Søborg, B, Krog, C, Møller, CM, Halling, CMB, Lauridsen, HH, Hansen, IR, Nørregaard, J, Jørgensen, KJ, Hansen, LV, Jakobsen, M, Jensen, MB, Melbye, M, Duel, P, Christensen, SW & Povlsen, TM 2017, ‘National clinical guidelines for non-surgical treatment of patients with recent onset neck pain or cervical radiculopathy’, European Spine Journal, vol. 26, no. 9, pp. 2242–2257.