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- Edição 38
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A potência e a capacidade aeróbica máximas em adultos idosos e muito idosos dependem do nível de atividade física?
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PONTOS CHAVE
- Tanto a potência muscular máxima (Pmax) como a capacidade aeróbica máxima (VO₂max) sofrem um declínio significativo relacionado com a idade, especialmente após os 80 anos.
- A VO₂max é principalmente influenciada pela capacidade cardiovascular e beneficia do exercício aeróbico, enquanto a Pmax depende mais da força muscular e responde mais favoravelmente ao treino de resistência.
- O número de passos diário está associado à VO₂max, mas não à Pmax.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
A potência muscular máxima (Pmax) e a capacidade aeróbica máxima (VO₂max) diminuem significativamente com a idade, particularmente após os 80 anos (1). Enquanto a VO₂max é principalmente limitada pela capacidade do coração e pode ser melhor preservada através do exercício aeróbico regular, a Pmax é mais afetada por perdas na força muscular do que na velocidade, beneficiando sobretudo do treino de resistência (2). No entanto, não está claro se a atividade física habitual em adultos muito idosos é suficiente para atenuar o declínio tanto da Pmax como da VO₂max, uma vez que existem poucos estudos centrados neste grupo etário.
O objetivo deste estudo foi investigar os efeitos da idade e do nível de atividade física na Pmax e na VO₂max, especialmente em adultos muito idosos.
A prescrição de exercício deve corresponder ao objetivo do paciente: exercícios de potência para melhorar a potência dos membros inferiores e atividades aeróbicas para aumentar a VO₂max.
MÉTODOS
Desenho do estudo: Parte de uma avaliação mais ampla que incluiu três visitas, com o objetivo de fornecer uma análise abrangente das capacidades físicas.
Participantes: 39 homens jovens (idade média de 22,1 anos), 34 homens idosos (idade média de 71,7 anos) e 23 homens muito idosos (idade média de 85,8 anos).
Avaliação: Avaliações antropométricas, teste de rampa de VO₂max, protocolo de perfil força–velocidade e nível de atividade física. Utilizou-se o limiar de 10 000 passos por dia (SPD - steps per day) para dividir os participantes em grupos de alta e baixa atividade física.
Análise: Foram utilizadas regressões lineares para determinar as taxas de declínio da VO₂max e da Pmax com a idade.
RESULTADOS
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Em comparação com os homens jovens, os resultados para a Pmax mostraram uma diminuição de 40% nos homens idosos e de 64% nos homens muito idosos (p < .001).
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Para a VO₂max, foi identificada uma redução de 29% nos homens idosos e de 51% nos homens muito idosos (p < .001). A VO₂max, mas não a Pmax, foi superior nos indivíduos com níveis mais elevados de atividade física, em comparação com aqueles com níveis mais baixos.
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Quanto à força máxima, verificou-se uma diminuição de 29% nos homens idosos e de 52% nos homens muito idosos (p < .01). A velocidade máxima diminuiu 17% nos homens idosos e 28% nos homens muito idosos (todos p < .01).
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Nos homens muito idosos, o número de passos por dia esteve relacionado com a VO₂max (r = 0.79; p < .001) e com a força máxima (r = 0.51; p < .05), sendo que a VO₂max se correlacionou positivamente com a força máxima (r = 0.72; p < .01).
LIMITAÇÕES
Uma limitação deste estudo é o facto de incluir apenas homens saudáveis. Considerando que a maioria dos adultos mais velhos apresenta algum tipo de patologia cardíaca, os resultados têm uma generalização limitada.
IMPLICAÇÕES CLÍNICAS
Principais resultados do estudo:
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Tanto a Pmax como a VO₂max diminuíram com a idade, com um declínio mais acentuado após os 80 anos.
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O declínio da Pmax relacionado com a idade é principalmente atribuído à redução da força máxima relativa.
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Homens mais ativos apresentaram VO₂max mais elevada, mas Pmax semelhante em comparação com homens menos ativos, independentemente da idade.
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Homens ativos e menos ativos tiveram taxas de declínio semelhantes na Pmax relativa e VO₂max, com declínios mais acentuados após os 80 anos.
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Em homens jovens e idosos, a VO₂max foi influenciada pela intensidade da atividade física realizada, enquanto nos homens muito idosos tanto a VO₂max como a força máxima estiveram ligadas ao volume de atividade física ou ao número de passos por dia.
Estes resultados podem ser atribuídos à especificidade da atividade física ou exercício realizado pelos participantes. O estudo mediu a atividade através do número de passos, que é uma atividade aeróbica, mas não focou no treino de força e potência. Assim, não é surpreendente que a VO₂max estivesse associada aos níveis de atividade física, enquanto a potência máxima não.
A potência pode ser aumentada em adultos mais velhos através de exercícios específicos de potência (3). Para a potência muscular dos membros superiores e inferiores, uma meta-análise de 16 ensaios clínicos randomizados mostrou um benefício significativamente maior do treino de potência em comparação com o treino de força (diferença média padronizada: 0,99–1,00, p = 0,001–0,003) (3). Portanto, se o objetivo for aumentar a potência dos membros inferiores, o paciente deve realizar os exercícios de potência dos membros inferiores listados na Tabela 1 (3). Se o objetivo for aumentar a VO₂max, o paciente deve realizar atividades aeróbicas, incluindo o aumento diário do número de passos, como examinado neste estudo.
+REFERÊNCIAS DE ESTUDO
MATERIAL DE APOIO
- Li Z, Zhang Z, Ren Y, Wang Y, Fang J, Yue H, Ma S, Guan F. Aging and age‐related diseases: from mechanisms to therapeutic strategies. Biogerontology. 2021 Apr;22(2):165-87.
- Silva AW, Santos WR, Santos WR. The benefits of physical exercise for healthy aging. RBPFEX-Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. 2024 Apr 24;18(115):267-72.
- El Hadouchi M, Kiers H, de Vries R, Veenhof C, van Dieën J. Effectiveness of power training compared to strength training in older adults: a systematic review and meta-analysis. European Review of Aging and Physical Activity. 2022 Dec;19(1):18.