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Stress psicossocial e dor crónica: um modelo de limiar para o bloqueio biológico
PONTOS CHAVE
- A dor crónica reflete uma ativação neuroimune sustentada por mecanismos de feedback positivo e de perpetuação do estado patológico.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
As meta-análises mostram que as intervenções psicológicas apresentam uma eficácia limitada quando a dor crónica já está estabelecida (1). Com base na Teoria da Segurança Social (Social Safety Theory) (2) e nos princípios dos sistemas dinâmicos, foi proposto um modelo de limiar para o aparecimento e a persistência dos estados de dor crónica por meio de um processo de bloqueio biológico (biological lock-in). Este artigo procurou explorar o aparente paradoxo entre o papel do stress psicossocial no aparecimento e desenvolvimento da dor crónica e a eficácia limitada das intervenções psicológicas após o estabelecimento dessa condição.
O stress psicossocial foi definido como a exposição a experiências socialmente ameaçadoras (adversidade social, stressores crónicos da vida e trauma) e às respostas biológicas coordenadas que estas experiências desencadeiam, incluindo a ativação dos sistemas neuroendócrino e imunitário responsivos ao stress (2).
O objetivo dos autores foi propor que ocorre uma transição de fase biológica envolvendo uma reorganização qualitativa do aparelho nociceptivo, difícil de reverter apenas através de intervenções psicológicas. Segundo esta proposta, uma vez ultrapassado este limiar biológico e estabelecida a persistência da dor, desenvolve-se um estado patológico autossustentado.
Se estiver presente um funcionamento do aparelho nociceptivo em estado de bloqueio após a ultrapassagem do limiar, as intervenções psicológicas apenas podem desempenhar um papel adjuvante na adaptação e na qualidade de vida.
MÉTODOS / O QUE FOI FEITO
Os autores realizaram uma revisão extensa da literatura, a partir da qual desenvolveram um modelo de limiar para a perpetuação biológica da dor crónica (biological lock-in) e propuseram potenciais estratégias de intervenção.