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Mobilização com movimento associada a exercício versus exercício isolado em pacientes com sensibilização central relacionada com síndrome de dor subacromial crónica: ensaio clínico randomizado com controlo simulado
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PONTOS CHAVE
- Em pacientes com síndrome de dor subacromial crónica e sensibilização central, a mobilização com movimento (MWM, em inglês Mobilization With Movement) associada ao exercício não demonstrou vantagens a curto prazo em comparação com a MWM simulada ou com o exercício isolado.
- Após três meses, a MWM com exercício não apresentou vantagens relativamente aos outros grupos no que diz respeito à incapacidade funcional ou sintomas de sensibilização central, mas revelou uma ligeira redução da hiperalgesia mecânica generalizada.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
A síndrome de dor subacromial é uma condição comum do ombro que pode tornar-se crónica e envolver sensibilização central.
A mobilização com movimento (MWM) é uma técnica de terapia manual que aplica mobilizações articulares específicas enquanto o paciente executa movimentos ativos. A MWM tem demonstrado benefícios na dor do ombro, mas os seus efeitos sobre a sensibilização central permanecem pouco claros.
Este estudo comparou MWM com exercício, MWM simulada com exercício e exercício isolado em pacientes com síndrome de dor subacromial crónica e sinais de sensibilização central.
Os clínicos devem interpretar este estudo como uma evidência preliminar de que a mobilização com movimento pode melhorar a sensibilização central para além dos efeitos do exercício isolado.
MÉTODOS
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63 adultos com síndrome de dor subacromial crónica (duração > três meses) e evidência de sensibilização central foram distribuídos aleatoriamente por três grupos: MWM com exercício, MWM simulada com exercício, ou exercício isolado.
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Todos os grupos realizaram o mesmo programa de exercícios durante três semanas (15 sessões no total), incluindo exercícios de alongamento e fortalecimento.
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O grupo MWM recebeu terapia manual adicional com deslizamento póstero-lateral da cabeça do úmero durante a flexão do ombro (ver Vídeo 1). O grupo simulado recebeu apenas contacto manual, sem mobilização real.
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As variáveis avaliadas incluíram: (1) pontuação no Inventário de Sensibilização Central; (2) hiperalgesia mecânica generalizada, medida por limiares de dor à pressão no ombro e em locais remotos (antebraço, coxa, canela); (3) incapacidade funcional medida pelo questionário Quick DASH.
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As avaliações foram realizadas no início, imediatamente após o tratamento (três semanas) e após três meses.
RESULTADOS
Após três semanas de tratamento, todos os grupos mostraram alguma melhoria, mas não houve diferenças significativas entre os grupos em nenhuma das variáveis avaliadas.
Após três meses, os resultados foram mistos. Não se verificaram diferenças significativas entre os grupos nas pontuações do inventário de sensibilização central nem na incapacidade funcional.
No entanto, o grupo MWM apresentou maior melhoria nos limiares de dor à pressão, tanto localmente (ombro) como em locais remotos, em comparação com os grupos simulado e de controlo. As diferenças foram pequenas (cerca de 1 kg), próximas do valor mínimo detetável (0,5 kg–1 kg).
LIMITAÇÕES
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O estudo não utilizou testes sensoriais quantitativos, reconhecidos como padrão-ouro na avaliação da sensibilização central.
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Foram excluídos pacientes com outras condições que poderiam contribuir para a sensibilização central, o que pode limitar a generalização dos resultados.
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O estudo não incluiu seguimento a longo prazo, para além de três meses, não permitindo avaliar se os benefícios se mantêm.
IMPLICAÇÕES CLÍNICAS
A síndrome de dor subacromial inclui várias condições não traumáticas do ombro que causam dor unilateral na região do acrómio durante a elevação do braço (1). A sensibilização central pode contribuir para a dor num subgrupo destes pacientes (2).
A MWM demonstrou reduzir dor e incapacidade em pacientes com síndrome subacromial, mas o seu efeito sobre a sensibilização central e a hipersensibilidade generalizada continua incerto (3,4).
Neste estudo, a MWM associada ao exercício resultou em limiares de dor à pressão ligeiramente mais elevados em várias regiões do corpo, o que pode indicar uma redução da sensibilização central superior às outras intervenções. No entanto, esta hipótese é questionável, pois não se verificaram melhorias nas pontuações do inventário de sensibilização central nem na incapacidade funcional.
Além disso, as diferenças nos limiares de dor foram pequenas, próximas do valor mínimo detetável. Não houve diferenças entre grupos imediatamente após o tratamento, e não existe uma explicação clara para que estas surjam apenas após três meses.
Os clínicos devem interpretar este estudo como uma evidência sugestiva, mas não conclusiva, de que a MWM pode ter efeitos significativos na sensibilização central para além dos benefícios do exercício.
+REFERÊNCIAS DE ESTUDO
MATERIAL DE APOIO
- Diercks R, Bron C, Dorrestijn O, Meskers C, Naber R, de Ruiter T, Willems J, Winters J, van der Woude HJ. Dutch orthopaedic association. Guideline for diagnosis and treatment of subacromial pain syndrome: a multidisciplinary review by the Dutch orthopaedic association. Acta Orthop. 2014;85:314–22.
- Deniz V, Sariyildiz A. Evaluation of the segmental distribution of pain sensitivity among patients with central sensitization associated with chronic subacromial pain syndrome: A cross-sectional study. J Bodyw Mov Ther. 2024;39:176–82.
- Deniz V, Kivrak A, Elbasan B, et al. Comparison of the effects of Mulligan mobilization with movement method and conventional rehabilitation protocol on shoulder pain and functions in subacromial pain syndrome: A prospective randomized single blind trial. Turkiye Klinikleri J Health Sci. 2021;6(1):78–87.