Ombros, ombros, ombros! Enquanto fisioterapeutas, ou adoramos tratar ombros ou não. Mas, gostemos ou não, a verdade é que a maioria de nós avalia muitos casos de dor de ombro no dia a dia, pelo que é essencial sentirmo-nos confiantes na forma como os avaliamos.
Felizmente, temos especialistas como a fisioterapeuta consultora Anju Jaggi para nos guiar. Com anos de experiência e vastos conhecimentos em dor no ombro, condensou o seu conhecimento no seu Curso Prático de avaliação do Ombro. Aqui estão três ideias-chave do seu curso prático que considero que cada fisioterapeuta deveria aplicar no seu trabalho clínico diário:
Se quiser ver exatamente como a fisioterapeuta especialista Anju Jaggi avalia ombros, assista ao seu Curso Prático completo AQUI. Com os Cursos Práticos, pode observar de perto e ver exatamente como os melhores especialistas avaliam e tratam condições específicas – para que possa tornar-se um melhor clínico, mais rapidamente. Saiba mais AQUI.
1 – Pense em categorias, não em diagnósticos
Quando se trata de dor no ombro, tentar estabelecer um diagnóstico específico com base em testes clínicos pode ser confuso e, frequentemente, pouco fiável. Em vez disso, Anju sugere uma abordagem mais simples e prática: pense em categorias clínicas. Pergunte a si mesmo – o meu paciente tem um ombro que está
- Com dor e rigidez? (ex. ombro congelado, osteoartrite glenoumeral)
- Com dor e fraqueza? (ex. dor relacionada com a coifa dos rotadores)
- Com dor e instabilidade? (ex. instabilidade do ombro)
Estas categorias podem ajudar a ultrapassar o ruído do diagnóstico, a definir prioridades na avaliação objetiva e a focar-se no que mais importa.
Anju também salienta que, frequentemente, se pode começar a formular uma hipótese de trabalho com base apenas na história subjetiva, especialmente quando consideramos a idade do paciente. Por exemplo, como regra geral:
- Um doente mais jovem? Pense em dorido e instável (potencial instabilidade do ombro)
- Alguém com idade entre os 40 e os 65 anos? É mais provável que se trate de um problema relacionado com a coifa dos rotadores (dorido e fraco), ou potencialmente ombro congelado (dorido e rígido).
- Mais de 65 anos? Considere osteoartrite glenoumeral.
Ao mudar a sua mentalidade do diagnóstico para o reconhecimento de padrões, irá construir planos de gestão mais eficazes e centrados no paciente, sem se perder nos pormenores dos testes clínicos.
2 – Organize a sequência da avaliação para a tornar mais eficiente
Depois de concluir a sua avaliação subjetiva e a observação do paciente, é altura de começar a restringir as hipóteses. Anju estrutura a avaliação de acordo com o seu objetivo, que é: categorizar a dor no ombro.
No que diz respeito à amplitude de movimento ativa e aos testes de força, Anju começa sempre pela rotação externa. Isto acontece porque lhe dá uma pista inicial sobre qual o quadro clínico que está a avaliar: se o ombro está mais dorido e rígido ou dorido e fraco. Essa informação ajuda a poupar tempo, orientando o que deve ser avaliado a seguir. Veja a sua explicação neste pequeno vídeo extraído do seu Curso Prático:
Clique em configurações “legendas” Português para assistir com legendas em português.
Além disso, se estiver perante um ombro dorido e fraco, avaliar adequadamente a força da coifa dos rotadores é fundamental. Veja a Anju a demonstrar como faz isto com o doente em decúbito, neste excerto do seu Curso Prático:
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3 – Não se esqueça da dimensão biopsicossocial
Com anos de experiência clínica, a Anju é uma forte defensora de uma abordagem biopsicossocial na avaliação e na intervenção do ombro. Ela destaca que compreender as crenças, expectativas e autoeficácia do seu paciente, desde o início do processo de reabilitação, é indiscutivelmente uma das partes mais importantes para favorecer o sucesso do processo de reabilitação.
Perguntas simples como: “Acha que a fisioterapia pode ajudar na sua condição?” ou “Sente- se confiante na sua capacidade de seguir o plano de reabilitação?” podem ajudar a compreender como o doente poderá responder ao tratamento, e onde poderá ser necessário disponibilizar apoio adicional, educação e tranquilização.
O ensaio clínico Getting it Right: Assessing Shoulder Pain (GRASP) apoia esta premissa. Concluiu que, quando os clínicos dedicam tempo a realizar uma avaliação inicial minuciosa – que inclua a compreensão das crenças do paciente, a abordagem das suas preocupações e a prestação de educação, uma única sessão pode ser tão eficaz como um programa de até seis sessões de exercício progressivo para muitos pacientes (1).
Conclusão
Independentemente de ser um fisioterapeuta que adora ou não tratar dor no ombro, esta condição representa uma parte significativa dos casos avaliados pela maioria dos fisioterapeutas, e realizar uma avaliação adequada é o primeiro passo para uma intervenção eficaz.
A avaliação do ombro não tem de ser complicada. Esperamos que estas recomendações práticas, apoiadas pela experiência clínica de Anju Jaggi, o ajudem a filtrar o ruído, a desenvolver confiança clínica, a tornar as avaliações do ombro mais claras e a identificar o que é realmente relevante para o doente que tem à sua frente.
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