Trave as lesões da corrida antes que elas evoluam: dicas de avaliação para fisioterapeutas
Com a “febre” da corrida a ganhar cada vez mais adeptos, nunca foi tão importante para os fisioterapeutas manterem-se atualizados sobre a avaliação de lesões associadas à corrida. Quando um corredor entra na clínica com uma lesão, há múltiplos fatores a considerar. Não só precisa de o ajudar a continuar a correr ou a regressar ao seu melhor nível de desempenho o mais rapidamente possível, como também deve avaliar a gravidade da lesão (por exemplo, uma lesão por stresse ósseo) e evitar que se transforme num problema crónico (como uma tendinopatia) que o possa afastar da prática a longo prazo. Numa atividade repetitiva e sujeita a elevadas cargas, é inevitável o aparecimento de problemas, e uma resolução eficaz começa com uma avaliação minuciosa.
Este blog destaca as principais ideias do Curso Prático do fisioterapeuta especialista Brad Beer sobre a avaliação de lesões em corredores. Iremos abordar duas grandes categorias de lesões: tendinopatias e lesões por stresse ósseo.
Se gostaria de ver exatamente como o fisioterapeuta especialista Brad Beer avalia lesões em corredores, assista ao seu Curso Prático completo AQUI. Com os cursos práticos, pode ver de perto exatamente como os melhores especialistas avaliam e tratam patologias específicas – para que se possa tornar um clínico melhor, mais rapidamente. Saiba mais aqui.
Tendinopatias
Compreender o comportamento do tendão é o primeiro passo. Na avaliação subjetiva, esteja atento a sinais como dor que melhora com o aquecimento durante a corrida, dor na manhã seguinte, rigidez matinal de curta duração e dor desencadeada por alterações na carga (por exemplo, aumento da velocidade, distância ou frequência). Certifique-se também de obter uma história clínica detalhada dos seus corredores!
Tendinopatia do Aquiles
É uma das afeções tendinosas mais comuns nos corredores. Brad demonstra uma avaliação simples e progressiva para aferir a capacidade de carga do tendão de Aquiles, começando com uma elevação dos calcanhares em apoio bipodal, progredindo para unipodal e, posteriormente, adicionando velocidade e elementos pliométricos.
Curiosamente, Brad enfatiza a testagem da capacidade do trícipete sural isolando-o dos flexores dos dedos, que podem contribuir em até 25% para a força de flexão plantar. Para o fazer, peça ao utente que se posicione sobre uma plataforma com os dedos fora da borda. Esta pequena modificação oferece uma avaliação mais precisa da verdadeira capacidade do trícipete sural.
Em termos de diagnóstico diferencial da tendinopatia da porção média do Aquiles, Brad nota a importância de considerar o envolvimento do plantar delgado. Embora seja mais comum em remadores e ciclistas, vale a pena verificar também em corredores. Veja uma breve demonstração de como avaliar o plantar delgado, retirada do seu Curso Prático:
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Tendinopatia proximal dos isquiotibiais
Esta lesão é frequentemente agravada por atividades compressivas, como correr em subida ou estar sentado. Tal como na tendinopatia do Aquiles, realize uma avaliação padrão da capacidade de carga, começando com um agachamento e progredindo para movimentos como o teste do arabesque. Brad demonstra um teste simples, sem necessidade de equipamento, para a tendinopatia proximal dos isquiotibiais neste excerto do seu Curso Prático:
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Para testar ainda mais a capacidade dos isquiotibiais, Brad utiliza um dinamómetro manual em decúbito ventral ou, se disponível, um teste de 8 repetições máximas numa máquina de leg curl em decúbito ventral com metrónomo. Uma boa referência é cerca de 0,3 a 0,4 vezes o peso corporal do utente.
Lesões por stresse ósseo
As Lesões por Stresse Ósseo (LSO) são uma consideração crítica em corredores de fundo. Podem ocorrer em todo o membro inferior, desde o pé ao colo do fémur. É essencial distinguir entre zonas de “baixo risco” e de “alto risco”; estas últimas, como o colo do fémur, apresentam um risco acrescido de complicações devido à irrigação sanguínea limitada. Brad reforça a importância de recolher um historial detalhado da carga de treino do corredor nos meses anteriores, uma vez que a dor ter-se-á desenvolvido após uma fase de acumulação de carga, e não devido a um evento específico. Veja o excerto abaixo do seu Curso Prático , no qual Brad explica a fisiologia da reparação óssea e as suas implicações nas LSO:
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LSO da Tíbia
As LSO da tíbia são das lesões por stresse ósseo mais frequentes em corredores. Diferenciar entre uma LSO verdadeira e a Síndrome de Stresse Tibial Medial (SSTM / “canelite”) é fundamental, uma vez que os corredores com SSTM podem muitas vezes continuar a correr com modificações no treino. Note a extensão da dor à palpação: dor numa área inferior a 5 cm pode indicar uma LSO, em vez de uma SSTM, que é mais difusa. O teste de salto unipodal (single-leg hop test) tem também uma sensibilidade de 100% para LSO tibiais — se o utente não sentir dor ao saltar num só pé, é muito provável que não se trate de uma LSO tibial!
LSO do Fémur
Embora menos comuns, as LSO do fémur são de “alto risco” e exigem uma abordagem muito cautelosa. Brad sublinha que as LSO no lado de tensão (superior) do colo do fémur requerem referenciação ortopédica imediata, devido ao risco de evolução para uma fratura completa. Estas lesões apresentam-se tipicamente com dor anterior no quadril, particularmente durante atividades em flexão do quadril. Embora não existam testes específicos para LSO do colo do fémur, o teste FADIR (Flexão-Adução-Rotação Interna) pode ajudar na provocação da dor.
Conclusão
Estes são apenas algumas dicas clínicas no que toca à avaliação de lesões ligadas à corrida. Ao compreender as causas subjacentes à dor do corredor, estará melhor equipado para criar um plano de tratamento direcionado e orientar o seu regresso à corrida de forma segura e eficaz. Este artigo apenas arranha a superfície do Curso Prático completo do Brad Beer sobre avaliação de lesões na corrida, onde ele aborda um conjunto mais alargado de patologias — desde a tendinopatia glútea às LSO no pé.
Se deseja uma visão abrangente sobre como um especialista avalia com eficácia as lesões no corredor, assista ao Curso Práticol completo de Brad Beer AQUI
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