À conversa sobre Tendinopatia – Principais Insights de um Podcast com a Dra. Ebonie Rio

6 - minutos de leitura Publicado em Tornozelo
Escrito por Physio Network info

Entrar no mundo da tendinopatia, em particular a do Aquiles, pode ser cheio de incertezas. Por isso, pedimos à Dra. Ebonie Rio, especialista, de renome mundial, em tendões, para se sentar connosco e desvendar os meandros da tendinopatia do Aquiles. Desde a identificação de um diagnóstico até ao tratamento personalizado, a Dra. Rio fornece um roteiro para clínicos e pacientes que navegam neste terreno complicado. Ebonie aborda estes tópicos, e muito mais, no Episódio 1 do nosso podcast Physio Explained – onde pode aprender com os melhores em 20 minutos ou menos.

 

Compreender a carga do tendão e o diagnóstico diferencial

Quando se inicia o tratamento da tendinopatia do Aquiles, é fundamental começar por compreender verdadeiramente o paciente. Como salienta a Dra. Rio, saber ouvir é uma competência que traz benefícios no diagnóstico. A Dra. Rio salienta que a tendinopatia apresenta-se com dor localizada, em resposta a cargas elevadas no tendão, distinguindo-a da dor que pode surgir por outras razões, como por exemplo em atividades de baixa carga. Mais importante ainda, o diagnóstico incorreto da tendinopatia pode conduzir a resultados insatisfatórios na reabilitação.

Ao reconhecer o tipo específico de problema no tendão, é possível adaptar o plano de tratamento com maior precisão. O tendão de Aquiles, por exemplo, é utilizado como uma mola ao longo de toda a nossa vida, necessitando de abordagens de tratamento diferentes, em comparação com outros tendões que só podem ser utilizados durante atividades específicas, como saltar.

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Atividades de carga elevada no tendão e o seu impacto

A Dr.ª Rio destaca as características únicas da carga sobre o tendão. Uma carga elevada no tendão é parte integrante de atividades rápidas – pense na descolagem explosiva de um velocista ou no salto de um bailarino. O tendão de Aquiles é fundamental para estes movimentos, funcionando como uma mola dinâmica. A Dr.ª Rio também chama a atenção para a importância de reconhecer as cargas de compressão nos tendões, que, quando geridas adequadamente, podem aliviar significativamente a dor e ajudar na reabilitação. A compressão pode ocorrer não só devido ao calçado utilizado, mas também devido à compressão posicional causada durante o movimento e o exercício. Pense na compressão da inserção do Aquiles contra o calcâneo na parte inferior de uma elevação do gémeos (ou seja, em dorsiflexão).

 

Abordagens de tratamento: Isométricos, excêntricos e Resistência Pesada e Lenta (HSR)

No domínio do tratamento da tendinopatia, Ebonie desaconselha a adesão rígida a um único protocolo de exercícios. Em vez disso, defende a utilização de um conjunto diversificado de opções de exercício. Por exemplo, um corredor de ultra-maratona com um défice de elevação dos gémeos pode beneficiar mais com o trabalho direto de resistência de força do que com os exercícios isométricos. Os exercícios isométricos, por outro lado, podem ser um excelente ponto de partida para quem tem medo de voltar a lesionar-se, ajudando a ganhar confiança na segurança da carga. Um tratamento altamente personalizado para cada paciente individual é fundamental.

 

O papel da dor na tendinopatia

Uma compreensão diferenciada da dor é crucial no tratamento da tendinopatia. A Dr.ª Rio salienta que a dor no tendão geralmente aquece – começa por ser rígida e irritante, mas depois melhora com a atividade, uma caraterística que ajuda a diferenciá-la de outros problemas como a peritendinite. A dor da peritendinite, por exemplo, pode aumentar com a atividade contínua, levando a sintomas que pioram quanto mais a atividade é mantida. Esta distinção informa não só o diagnóstico, mas também a educação do doente sobre o que esperar durante e após o exercício.

 

Evolução das estratégias de gestão

A Dr.ª Rio salienta a importância de reconhecer o papel do cérebro na produção da dor e a necessidade de incorporar esse entendimento nas estratégias de reabilitação. Reconhecendo que a dor é produzida pelo cérebro para proteger o corpo, a reabilitação precisa abordar, não só os aspetos físicos da tendinopatia, mas também o envolvimento do sistema nervoso central na doença.

 

Equívocos e terminologia comuns

A linguagem que utilizamos pode moldar a compreensão e as expetativas do doente relativamente à sua doença e ao tratamento. A Dra. Rio salienta a necessidade dos clínicos utilizarem uma terminologia adequada que reflita os conhecimentos atuais. Afastar-se de termos desatualizados, como “tendinite”, evita implicar um processo inflamatório que poderia orientar erradamente o tratamento para repouso e anti-inflamatórios em vez de exercícios benéficos.

 

Conselhos para os recém-formados e problemas de diagnóstico incorreto

Os diagnósticos incorretos podem levar os pacientes a um labirinto de tratamentos ineficazes e dispendiosos. O conselho da Dra. Rio, tanto para os recém-formados, como para os profissionais experientes, é que sejam meticulosos no seu processo de diagnóstico. Ela enfatiza o ponto crítico de que a tendinopatia não deve mover-se ou espalhar-se, o que é uma informação vital quando se avalia o comportamento da dor e se planeia o tratamento. Um diagnóstico incorreto pode levar à aplicação de estratégias de gestão inadequadas, prolongando o percurso de reabilitação do doente.

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Concluindo

A dor no tendão de Aquiles é uma condição comum que afeta desde os atletas de fim de semana até atletas de elite, por isso é crucial manter-se informado e atualizado com as melhores práticas. Os pontos principais deste podcast são:

  • O tendão age como uma mola e cargas elevadas no tendão aumentam os sintomas nos casos de tendinopatia.
  • O treino de resistência pesada não se qualifica como carga elevada para um tendão de Aquiles.
  • As tendinopatias insercionais e de porção média podem apresentar-se de maneira diferente e requerem reabilitação diferenciada.
  • Existem diferenças dicotómicas entre a verdadeira tendinopatia e a peritendinite, sendo crucial identificá-las. Padrões de dor e fatores agravantes são fundamentais para o diagnóstico.

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