Guia passo-a-passo de um especialista para avaliar a dor lombar persistente

8 - minutos de leitura Publicado em Lombar
Escrito por Dr Jahan Shiekhy info

A dor lombar é uma das principais razões para consultas com médicos de clínica geral e fisioterapeutas. Embora algumas dores lombares tenham uma causa clara, muitas vezes não há lesão aguda e a dor persiste para além do tempo típico de cicatrização. Quando a dor persiste por mais de três meses e é não específica (sem uma causa patoanatómica clara), referimo-nos a ela como “dor lombar persistente”. Avaliar a dor lombar persistente requer uma abordagem multifatorial, analisando fatores para além da função lombar, tais como estratégias de coping e fatores de risco psicológicos. O nosso objetivo é identificar os principais fatores que contribuem para a dor, de forma a criar uma abordagem de gestão direcionada. Neste blog, vamos seguir o percurso prático do Dr. Kevin Wernli na avaliação da dor lombar persistente.

Se quiser ver exatamente como o fisioterapeuta especialista Dr. Kevin Wernli avalia a dor lombar persistente, veja o seu vídeo completo AQUI. Com os Cursos Práticos pode observar como os melhores especialistas avaliam e tratam condições específicas – para se tornar mais rapidamente um/a melhor clínico/a. Saiba mais aqui.

 

Avaliação subjetiva

A parte subjetiva do exame inclui compreender a história do paciente, definir os seus objetivos e expetativas, avaliar fatores de risco psicossociais e fazer o rastreio para referenciações apropriadas.

Medidas de resultado

Instrumentos como o Questionário de Triagem de Dor Musculoesquelética de Örebro (ÖMPSQ – Örebro Musculoskeletal Pain Screening Questionnaire) e a Escala Funcional Específica do Paciente (PSFS – Patient Specific Functional Scale) podem ser úteis no início. O ÖMPSQ avalia fatores de risco relacionados com incapacidade a longo prazo, enquanto a PSFS avalia a capacidade do paciente para realizar atividades específicas.

Experiência de dor

A dor é uma experiência complexa, por isso queremos compreender a experiência do paciente, incluindo a história da dor, o seu início e o impacto na vida diária. Algumas perguntas úteis incluem:

  • “Conte-me a sua história”: perguntas abertas podem revelar informações valiosas que o paciente não partilharia de outra forma.
  • “Como começou a dor? O que mais estava a acontecer na altura?”: por vezes há um gatilho claro, como levantar algo de forma incorreta. Mas muitas vezes não há. Nestes casos, devemos investigar fatores de risco como má qualidade do sono e níveis elevados de stress.
  • “Como é que esta dor o/a está a afetar agora?”: grande parte do impacto da dor está nas atividades que impede de realizar. Precisamos compreender isso para priorizar o plano de gestão.

Avaliação da dor e fatores psicossociais

Depois de compreender a experiência geral de dor, avaliamos mais de perto os aspetos psicossociais. Vamos fazer perguntas sobre:

  • Localização da dor.
  • Fatores que agravam e aliviam.
  • Crenças sobre a dor: precisamos entender as crenças sobre as causas e consequências a longo prazo.
  • Estratégias de coping da dor: Refere-se a como os pacientes alteram seu comportamento devido à dor nas costas, ou seja, reduzindo ou até evitando atividades completamente.
  • Impacto no estado emocional: A dor persistente está correlacionada com ansiedade e depressão, provavelmente em uma relação bidirecional.
  • Situação social: Examinamos as conexões sociais, o suporte e os fatores de stress social (por exemplo, divórcio).
  • Situação de trabalho: Inclui posturas no trabalho, exigências de movimento e fatores de stress.
  • Fatores relacionados com o estilo de vida: Os fatores principais do estilo de vida incluem sono, alimentação e hábitos de autocuidado.

Rastreio

Tal como em qualquer apresentação de dor lombar, devemos procurar sinais de alerta, como a síndrome da cauda equina, cancro, infeção e outras causas sistémicas de dor.

Objetivos e expetativas

Para concluir a avaliação subjetiva, pedimos ao paciente que partilhe os seus objetivos e expetativas em relação à fisioterapia. O que pretende alcançar? Que tipo de abordagem de tratamento deseja? Qual é o seu horizonte temporal para a recuperação?

É essencial criar alinhamento entre o plano que propomos e aquilo que o paciente considera ser o melhor caminho a seguir. Um ponto comum de divergência nesta fase é o uso de terapia manual. Alguns pacientes podem solicitar este tipo de intervenção. Como fisioterapeutas, parte da nossa competência profissional é saber quando e como educar. Embora a terapia manual não deva ser a única solução para a dor persistente, podemos perder empatia e ligação com o paciente se rejeitarmos abrutamente esse pedido. A terapia manual pode ser uma ferramenta útil para alívio da dor, mas as estratégias de gestão ativa devem ser priorizadas. É importante equilibrar o plano de tratamento tendo estes fatores em consideração.

 

Avaliação objetiva

A componente objetiva da avaliação da dor lombar persistente deve integrar princípios da avaliação subjetiva. Enquanto observamos diversos movimentos e posturas, também perguntamos ao paciente sobre as suas crenças e o que está a sentir durante esses movimentos (por exemplo: “Isto parece inseguro”, “sinto que a minha coluna bloqueia”). Durante o exame objetivo, podemos também iniciar o processo educativo através de “experiências comportamentais”, onde pedimos ao paciente para se movimentar de formas diferentes e avaliamos como isso altera a sua perceção da dor.

Avaliação em posição sentado

Começamos por observar a postura sentada, procurando assimetrias marcadas entre o lado esquerdo e o direito, estratégias compensatórias (por exemplo, manter uma postura rígida e ereta) e padrões respiratórios (como uma expansão excessiva do tórax superior). No vídeo abaixo, retirado do seu Curso Prático completo, o Dr. Wernli mostra como integra a avaliação em posição sentado com a educação do paciente:

Clique em configurações “legendas” Português para assistir com legendas em português.

Avaliação sentar-levantar

O movimento de sentar e levantar é uma tarefa funcional crucial, com a qual muitos pacientes têm dificuldades. Observamos como realizam o movimento: precisam de se apoiar com as mãos? Tentam manter o tronco demasiado ereto? O peso está distribuído de forma equilibrada pelos membros inferiores? Veja o Dr. Wernli demonstrar como avalia este movimento neste excerto do seu Curso Prático:

Clique em configurações “legendas” Português para assistir com legendas em português.

Se for apropriado, podemos também avaliar uma variante do agachamento unilateral, em que o paciente mantém uma perna estendida à frente para apoio, enquanto a perna de suporte realiza o movimento. Avaliamos tanto a qualidade do movimento como a capacidade de carga de cada perna, além de fazer perguntas sobre os sintomas.

Avaliação em pé

Tal como na posição sentada, começamos a avaliação em pé com a simples observação da postura, procurando distribuição simétrica do peso, estratégias compensatórias e níveis de dor. De seguida, realizamos uma avaliação básica da amplitude de movimento (ROM – Range Of Motion) incluindo flexão, extensão, flexão lateral e rotação. Avaliamos tanto a ROM como os sintomas relatados pelo paciente durante a execução dos mesmos.

Avaliação neurológica e testes especiais

Em todos os pacientes com dor lombar, é importante realizar um rastreio neurológico básico, avaliando miótomos, reflexos e sensibilidade.Podemos também avaliar a sensibilidade neural através de testes como o Slump Test e o Straight Leg Raise (elevação da perna estendida).

Avaliação da marcha e da elevação de carga

Ao avaliar a marcha, procuramos desvios significativos, como padrões de marcha assimétricos e redução do balanço dos braços. A avaliação da flexão e da elevação de carga pode ser uma progressão da avaliação da ROM em flexão, pedindo ao paciente que levante uma carga real. Veja o excerto abaixo do Curso Prático onde o Dr. Wernli demonstra como avalia uma tarefa de levantamento de carga:

Clique em configurações “legendas” Português para assistir com legendas em português.

 

Conclusão

A avaliação da dor lombar persistente exige uma abordagem multifatorial, que inclui a análise dos possíveis fatores que contribuem para a dor e a forma como o paciente se movimenta. Estas avaliações requerem, geralmente, uma conversa mais aberta, pois procuramos identificar influências como fatores de risco psicossociais e estratégias comportamentais de coping. Também queremos compreender o que é mais importante para os nossos pacientes, para garantir que a nossa abordagem terapêutica seja envolvente e significativa para eles.

Para uma explicação passo-a-passo sobre como avaliar a dor lombar persistente, consulte o Curso Prático completo do Dr. Wernli AQUI

👩‍⚕️Queres uma maneira mais fácil de desenvolver as tuas competências de avaliação e de tratamento?

🙌 Os nossos cursos práticos são a solução perfeita

🎥 Eles permitem ver como os melhores especialistas avaliam e tratam condições específicas

💪 Tornar-te-ás de forma mais rápida um melhor profissional

preview image

Não te esqueças de compartilhar este blog!

Deixa um comentário

Se tiveres alguma questão, sugestão ou algum link de uma investigação relacionada com o tema, partilhe abaixo!

Deves estar com o login feito para publicar ou gostar de um comentário.

Aumenta o teu Conhecimento Todos os Meses

Acede gratuitamente a blogues, infográficos, revisões de pesquisa, podcasts e mais

Ao inserir o seu email, concorda em receber e-mails da Physio Network, que enviará mensagens de acordo com sua política de privacidade.