Reabilitação na fase inicial dos isquiotibiais: principais estratégias para fisioterapeutas
As lesões dos isquiotibiais estão entre as lesões musculoesqueléticas mais prevalentes e persistentes nas populações desportivas. A recorrência é um dos maiores desafios que os fisioterapeutas enfrentam na reabilitação de doentes com lesões nos isquiotibiais; é importante conduzir o processo de forma adequada para reduzir o risco e preparar os seus doentes para o sucesso.
No entanto, as lesões não são todas iguais e, por conseguinte, requerem uma abordagem específica ao tecido e ao mecanismo de lesão. Este blogue apresenta algumas das perspetivas especializadas do Curso Prático do fisioterapeuta Scott Hulm, onde explica como orienta a gestão da reabilitação das distensões dos isquiotibiais dos seus doentes.
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Primeiro, considere os fatores do doente
O Scott reforça que, para reabilitar adequadamente uma lesão por distensão dos isquiotibiais e construir um plano de gestão eficaz, é necessário compreender o mecanismo de lesão e as exigências funcionaisa função desejada para o regresso à prática desportiva. É aqui que a sua avaliação subjetiva detalhada será útil. A lesão ocorreu durante um sprint de alta velocidade ou de um estiramento excessivo? Existe envolvimento do tendão ou uma lesão aponeurótica complexa?
Partindo do objetivo final do atleta, através de uma abordagem retrógrada, seja sprint de alto rendimento, futebol ou atividade recreativa, torna-se fundamental adaptar a abordagem de reabilitação utilizando princípios específicos do tecido é fundamental. Isto implica uma seleção cuidadosa dos exercícios, a modulação da amplitude de movimento e uma progressão orientada por critérios, baseada em marcadores objetivos de força e mobilidade.
Reabilitação na fase inicial
A gestão inicial é fundamental para preparar o terreno para tudo o que se segue. Esta fase pode, frequentemente, ser pouco valorizada; é importante que os fisioterapeutas saibam encontrar o equilíbrio entre a proteção dos tecidos e a aplicação de carga. Não se trata de repousar, mas sim de restaurar. Eis algumas dicas para alcançar esse equilíbrio adequado:
1. Limiares funcionais guiados pela dor
O Scott apresenta critérios simples para avaliar a gravidade e orientar a aplicação precoce de carga:
- Tempo até conseguir caminhar sem dor.
- Capacidade de pedalar a ~150 watts durante 20 a 30 minutos sem sintomas.
- Avaliação precoce da mobilidade em flexão do quadril e extensão do joelho, em comparação com o membro não afetado.
Estes marcadores, combinados com potenciais dados de imagiologia quando disponíveis, ajudam a classificar o tipo e a gravidade da lesão, para que possa adaptar a sua prescrição de exercícios em conformidade.
2. Restauração da mobilidade
O Scott defende o uso da terapia manual para intervir sobre:
- Tensão neural (avaliada através do teste de elevação da perna estendida, teste de slump).
- Restrições musculares em redor do local da lesão (ex.: iliopsoas, adutor longo, glúteos).
- Défices de mobilidade contralaterais que possam influenciar o controlo pélvico e a extensão do quadril durante a corrida.
Combinadas com mobilidade ativa com carga cuidadosamente aplicada, como exercícios de extensão do joelho dentro de uma amplitude de movimento (ADM) limitada pela dor, estas estratégias podem ajudar o doente a restaurar a mobilidade sem dor nas fases iniciais da reabilitação.
3. Introdução à carga
Logo entre o 3.º e o 7.º dia após a lesão (dependendo da gravidade), o Scott inicia a ativação com baixa carga e a estimulação mecânica controlada do tecido em cicatrização. Regra geral, começa com deslizamentos dos isquiotibiais e, assim que conseguem realizá-los sem dor, os doentes podem progredir para um exercício mais difícil, como a extensão excêntrica do joelho no TRX – veja o Scott a demonstrar este exercício no vídeo abaixo, retirado do seu Curso Prático:
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Como o Scott explica, o foco é restaurar o comprimento fascial, promover o controlo excêntrico precoce e preparar o atleta para tarefas com carga dominante no joelho mais intensas numa fase posterior. A transição de exercícios bipodais para unipodais, e eventualmente para variações com peso, baseia-se na tolerância à dor e no desempenho funcional.
É também importante reabilitar a força de extensão do quadril nas lesões dos isquiotibiais. Para tal, o exercício de eleição do Scott é a extensão do quadril a 45°, começando com isometria bipodal e adicionando progressivamente ADM, bem como variações unipodais e com peso. Veja-o a demonstrar no excerto abaixo, retirado do seu Curso Prático:
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Regresso à corrida
À medida que a força, a ADM e a resiliência dos tecidos são restauradas, inicia-se a fase de regresso à corrida. Mas não se trata apenas de fazer sprints, trata-se de um recondicionamento inteligente e gradual, bem como da gestão da carga. O Scott demonstra uma série de dribles de tornozelo com a qual inicia os seus atletas; esta é uma forma segura e confortável de os doentes treinarem a cadência e a sequenciação da corrida. Este exercício permite a reintrodução à rigidez nas forças de reação vertical do solo, e promove o controlo postural e a colocação do pé para a mecânica da marcha inicial. Veja o vídeo abaixo, retirado do Curso Prático do Scott:
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Conclusão
Enquanto fisioterapeutas, é importante ir além dos protocolos genéricos de reabilitação dos isquiotibiais e aplicar estratégias que reflitam a lesão, os objetivos e as necessidades individuais do doente. Trata-se de equilibrar a proteção com a aplicação precoce de carga e de desenvolver planos de tratamento que garantam que o doente progrida com a dosagem, o momento e o tipo de exercício adequados para atingir os seus objetivos funcionais e de desempenho a longo prazo.
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